Nas Catacumbas da Torre

Published on outubro 8th, 2013 | by Makson Lima

10 anos de The Walking Dead

Não há como escapar de The Walking Dead. Mesmo que você viva isolado de toda e qualquer civilização por anos, os mortos-vivos de Robert Kirkman o alcançarão de alguma forma. Seja por intermédio dos quadrinhos, da série de TV, dos jogos de videogame ou livros, os walkers estão por toda parte. E outubro, meu camarada, é o mês do The Walking Dead.

Esta semana marca o décimo ano da fantástica HQ publicada pela Image Comics. O número 115 deve chegar às bancas norte americanas amanhã (e, por consequência, todo e qualquer smartphone possível e serei eternamente grato a isso), começando um novo arco de uma série mensal continuada. Não é qualquer história que se mantém progressiva, numa quase sempre crescente, por tanto tempo. O caminho trilhado por Rick Grimes e tudo e todos que o cercam não tem previsão de término, sequer descanso: caso esteja acompanhando a HQ, sabe o quanto Negan é um vilão a altura do odioso, nefasto, maquiavélico e todo-poderoso Governador. O negócio anda intenso, caras.

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The Walking Dead nasceu da frustração de seu criador para com histórias de zumbis de um modo geral. Desiludido com finais que nunca efetivamente terminam (afinal, toda e qualquer história envolvendo mortos-vivos – e aqui vou de A Noite dos Mortos-Vivos a Extermínio – poderia ser continuada perfeitamente após sua conclusão), Kirkman resolveu focar num sobrevivente. Rick Grimes é o ponto de apoio da trama. Sem ele, não há The Walking Dead. Evidentemente que a história continuaria sem seu protagonista (afinal, trata-se de uma  história repleta de protagonistas) mas a filosofia por trás de TWD diz o seguinte: Rick morre, o troço acaba. Sendo assim, são raros os momentos trazidos sem Grimes como foco. Há até uma brincadeira em fóruns da vida que expõe exatamente isto: para cada cinco quadrinhos de arte continuada, Rick aparece em ao menos um. Excelente decisão, devo dizer.

E você pode até não curtir muito HQs (como respeitar um sujeito desses?) e ainda assim ser um fã inveterado de TWD. A série de TV, cuja quarta temporada tem início no próximo domingo, dia 13 (e que, de certo, vai angariar novos recordes de audiência), é um dos troços mais populares de nossos tempos. Não, eu não tenho uma explicação plausível ou ao menos aceitável para o sucesso emergente e explosivo dos zumbis na cultura pop de uma forma geral – cabe um estudo aqui, quem sabe um dia – mas fato é que todo mundo assiste esse negócio.

 

Confesso que fui relutante por um tempo, afinal, não me caso com adaptações. São raríssimas as exceções. Por insistência de amigos e por saber ser roteirizado pelo próprio Robert Kirkman, cedi. Sim, há uma série de recauchutadas aqui e ali para tornar a diversos eventos mais acessíveis e abrangentes – acredite, o troço é de uma violência extrema, certamente não aconselhável para o horário nobre de um grande canal de TV – mas há um bom nível no todo. As maquiagens são muito boas e os personagens novos oscilam entre qualquer coisa e ultra carismáticos. Todos curtem Daryl Dixon. Você também, não negue.

Por mais que tenha meus eventuais galhos, é uma série de zumbis na TV. Bicho, vou ter que repetir: é uma série de zumbis na TV. Respeite.

Em meio a todo esse caos apocalíptico, uma ramificação de TWD que pode ter passado despercebida por muita gente são os livros, canônicos a HQ. A Ascensão do Governador e O Caminho Para Woodbury são histórias complementares e/ou paralelas aos quadrinhos, além de nada mais que espetaculares. Ainda não li a segunda publicação, mas curti horrores a primeira: conhecer mais sobre Philip Blake, aquele que viria a se tornar um dos vilões mais ardilosos de que se tem notícia, é uma oportunidade que nenhum fã da franquia pode deixar passar.

E um novo livro está a caminho, ainda este mês, para tornar esses 10 anos ainda mais apetitosos: The Fall of Governor. Honestamente, não sei o que esperar, pois já conhecemos o desfecho do personagem (vocês que se limitam a série, não tem ideia da desgraça que – espero – está por vir. O Governador da HQ e da TV são duas figuras extremamente distintas, para o bem ou para o mal).

E aí chegamos aquela que, supostamente, seria a parte mais frágil de tão rentável e prolífera franquia, as iterações nos videogames. Para ser sincero, não esperava nada de especial do jogo que viria a ser feito pela Telltale Games. Por mais que gostasse dos caras (Back to the Future e Wallace & Gromit são divertidos), como encaixar a desgraceira pós-apocalíptica de TWD para o formato point n’ click? Parecia algo impossível. E como estávamos enganados, meus camaradas.

Toda trama estrelada por Lee e Clementine, também canônica aos quadrinhos (há participações especiais de dois dos personagens mais queridos da franquia, Glenn e Hershel, antes de conhecerem Rick) tornou-se uma das mais icônicas e vanguardistas formas de se contar uma história nos videogames. Dentro de decisões que vão muito além do certo e errado, a série dividida em cinco episódios da Telltale virou referência para o gênero e para a mídia como um todo. Recebendo diversos prêmios de melhor jogo do ano, não há quem não espere a próxima temporada de jogos mais até que uma invasão alienígena. 400 Days saciou um pouco de nossa sede, mas não foi nem perto de ser o suficiente.

E, evidentemente, há a parte podre – a parte fastfood – do montante. Survival Instinct, produzido pela Terminal Reality (os mesmos caras do excelente Ghostbusters The Video Game, por mais incrível que pareça) é nada menos que detestável. Com a premissa de contar a história dos irmãos Dixon, Daryl  e Merle, tudo é uma catástrofe: os controles deste que seria um simples FPS são duros e limitados, os gráficos, repletos de problemas e bugs e toda e qualquer ideia que poderiam trazer interesse, não passam de algo quebrado e frustrante. Feito às pressas, para concilicar com a season finale da terceira temporada, Survival Instinct é a ovelha negra da franquia TWD e é melhor ser morto com um belo tiro entre os olhos, para que não volte na forma de zumbi. Carl, dê um jeito nisso, por favor.

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About the Author

Além de detestar falar de si mesmo na terceira pessoa, tem certa obsessão pelo fundo do poço cinematográfico. Séries como Silent Hill, Resident Evil, Shin Megami Tensei e Final Fantasy trazem razão para sua existência e acha absurda a internet do "amo/odeio". Recluso, introspectivo, com um pé na sociopatia e com saúde debilitada, não acredita no ser humano como espécie cosmopolita.



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