Livros

Published on setembro 16th, 2014 | by Carol Lima

A beleza e o horror de Rapture

E aí, galera!

Por um bom tempo estive absorta em livros, transitando entre meus gêneros favoritos, como ação e suspense. E sempre me deparo com a adaptação de algum game, até mesmo em HQs ou mangás, o que aprecio bastante por gostar de ver meus games favoritos abordados em outra mídia. Mas nem sempre a qualidade se equipara a de seu material de origem, e muitas vezes se restringe a contar o que já é mostrado no jogo (o que não é de todo mal, mas cansa por, em sua maioria, ser basicamente isso). Por isso meu medo prévio de ler BioShock Rapture (escrito por John Shirley), já que achava um tanto complicado adaptar o que fora visto nos dois primeiros games, seu universo, de forma apropriada. Foi então que vi que se tratava de uma prequel do primeiro game, logo não iria apenas relatar o que já vimos, e sim se focar na origem dos personagens e, mais importante, da cidade de Rapture.

A história começa logo após a Segunda Guerra Mundial, e o medo de uma massiva guerra atômica de proporções inimagináveis pairava sobre todos, e o Estado interferia mais e mais na economia. Assim surge a figura de Andrew Ryan, excêntrico magnata que repudiava tanto o sistema comunista quanto o capitalista, além de detestar a alienação da religião. Ele queria algo novo, queria um lugar onde cada um iria receber pelo seu próprio esforço, onde não haveria barreiras morais para o progresso de cientistas e artistas. Por que não uma nova cidade? Mas teria que se esconder de todo o resto do mundo, e apenas um grupo seleto de pessoas iria para a tal cidade, a qual dera o nome de Rapture, uma utopia submersa. Nada poderia dar errado, assim pensava.

Como já pode ser constatado no primeiro game, tudo isso acabou dando muito errado, por uma série de fatores que são mostrados gradativamente neste livro (e outros mencionados durante alguns arquivos de áudio dos dois primeiros games), desde o vício dos cidadãos em Plasmids, deformando-os e os transformando nos bizarros splicers, até a criação das Little Sisters e sua conexão com um Big Daddy. Contado em terceira pessoa, Shirley transita entre vários personagens, mas um deles acaba se destacando mais que outros, que é a pessoa a qual Andrew Ryan mais deposita confiança desde antes da construção de Rapture: Bill McDonagh, que aparece por tanto tempo quanto o magnata na história, e é extremamente cativante. Outros como a Doutora Brigid Tenenbaum, o Dr. Suchong e Frank Fontaine também tem bastante destaque, devido a suas atividades para com a cidade de Rapture, e no que elas acarretam futuramente.

Com uma excelente história (que vai desde 1945 até 1959, um ano antes dos acontecimentos do primeiro BioShock), narrativa consistente, personagens bem desenvolvidos e contando com forte Objetivismo (Filosofia esta idealizada pela escritora Ayn Rand no livro “A Revolta de Atlas”, e que serviu de forte inspiração para o game) e críticas sociais, políticas e morais, BioShock Rapture é aquele livro que é obrigatório para quem já jogou a franquia e tem certo carinho por seu universo e altamente recomendável também para aqueles que ainda não jogaram (e que depois do livro terão certa curiosidade em acompanhar o que aconteceu depois). As únicas reclamações seriam por conta de uma aparente falta de revisão durante a impressão ou tradução do livro (algo que me incomodou um pouco) e algumas pontas soltas deixadas perto do final.

Nota: 9,0

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About the Author

Estudante, futura Jornalista e Marvete desde a infância, mas passando por desilusões com a editora atualmente. Tem o hábito de curtir coisas independentes, variando de música até games. Não dispensa uma boa ficção-científica.



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