Filmes

Published on julho 13th, 2015 | by Makson Lima

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A Trilogia Insidious

Para começar, acho bom deixar claro o seguinte: tenho sérios problemas com adaptações de nomes para o polêmico pt-br. Sim, eu preferiria “O Padrinho” a “Poderoso Chefão”. É um troço ousado, alterador de conteúdo e de mensagem, até. Vide “Cloverfield”, onde há spoiler no subtítulo em português – “Monstro”. Ridículo. Um caso em específico merecedor de atenção: “Angel Heart”, o clássico de 87 protagonizado pelo Robert De Niro mais mefistófilo de sua carreira, é conhecido por esses lados como “Coração Satânico”. Sério, bicho. Sério.

Um parágrafo todo para justificar o “Insidious” do título. Poderia ser “Sobrenatural”? Sim, claro, mas só de pensar nas letras B e R coloridas de forma diferente como forma inteligentíssima de criar associações subliminares com o público já é suficiente para gerar gorfo. Asco. Ew. De qualquer maneira, gostaria de dedicar algumas linhas a uma das séries de horror mais consistentes, tecnicamente caprichadas e repleta de bons personagens dos últimos anos.

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A dobradinha James Wan e Leigh Whanell – direção e roteiro, respectivamente – é receita de sucesso. Desde o apoteótico “Saw”“Jogos Mortais”, pff – há um vínculo entre estes dois artistas, algo difícil de acontecer, especialmente no mainstream. Há exemplos no decorrer da história cinematográfica, a citar Alfred Hitchcock e Bernard Herrmann ou David Cronenberg e Howard Shore. Aliás, esta última é simplesmente algo de outro planeta, pois as trilhas sonoras de “A Mosca”, “Videodrome” e “Scanners” apresentam um uníssono impressionante, como se pensadas de forma íntegra, partes de um todo genial.

O primeiro “Insidious” impressionou por trazer diversos elementos de horror clássico para uma temática contemporânea. A construção lenta, a figura física marcante da entidade, o outro mundo – o dito “The Further” – muito bem representado e reconstruído e os personagens inesquecíveis são elementos deliberados e muito bem desenvolvidos. Patrick Wilson, já parceiro de Wan, e Rose Byrne formam o casal cujo filho entrara em coma, vítima de um parasita de alma; o próprio Leigh Whanell atua ao lado de Angus Sampson como uma dupla de caçadores de fantasmas, comandados pela veterana (e sempre maravilhosa) Lin Shaye, médium cheia de poderes e ultra confiante em si mesma.

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E tais personagens são consistentes no decorrer da série, assim como suas temáticas: viagem astral, transposição de planos de existência, diferentes classificações de entidades sobrenaturais e as tão populares na internet caçadas pelo outro mundo. Some a isso tudo uma direção segura de si, trilha sonora maravilhosa – certamente inspirada nos clássicos do horror dos anos 30 e 40 – e tenha em mãos algo poderoso.

A continuação segue o exato ponto final da arrebatadora primeira parte, desenvolvendo ainda mais o casal Wilson-Byrne, expandido o rico universo macabro de “Insidious” e apresentando mais parasitas horrorosos. Continuações são sempre delicadas, mas a volta de Wan na direção e de Whanell no roteiro foram fatores motivadores e encorajadores – esta história precisava ser continuada, precisávamos de um desfecho.

A terceira parte, intitulada “A Origem” por aqui, terá seu foco na figura da paranormal vivida por Shaye, Elise Rainier. Com previsão de estreia para o fim de julho, não teremos Wan na direção pois este tem seguido outros rumos – recentemente dirigiu o último capítulo da saga “Velozes e Furiosos” e agora tem dedicado sua atenção para a adaptação de “Aquaman” para os cinemas. Mas nada tema! Whanell fará sua estreia na direção com esta terceira parte, também assinando o roteiro e voltando a interpretar o blogueiro caçador do sobrenatural Specs. Certeza de bons sustos, uma trama intrincada e, quem sabe, o retorno do demônio Darth Maul? Eu quero acreditar.

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About the Author

Além de detestar falar de si mesmo na terceira pessoa, tem certa obsessão pelo fundo do poço cinematográfico. Séries como Silent Hill, Resident Evil, Shin Megami Tensei e Final Fantasy trazem razão para sua existência e acha absurda a internet do "amo/odeio". Recluso, introspectivo, com um pé na sociopatia e com saúde debilitada, não acredita no ser humano como espécie cosmopolita.



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