Filmes

Published on junho 15th, 2014 | by Thiérri Parmigiani

Crítica do Alto da Torre – Transcendence – A Revolução

Um título que parece não dizer nada e depois você descobre que dizia mais do que você estava preparado para ouvir

Há já muito tempo, que o grande problema do gênero ficção científica, no cinema, é pecar ao tentar atingir uma gama de público maior do que ele naturalmente teria capacidade. Ao tentar deixar os filmes mais fáceis, palatáveis, populares, a indústria cinematográfica tira da ficção científica aquela que é a sua qualidade primordial, na literatura ou em qualquer outra mídia , que é exatamente a de instigar reflexão. Nem todo mundo gosta, nem todo mundo entende, nem é tanta gente assim que se interessa. Não vai nunca dar o maior retorno financeiro da história, mas para ser bom, dentro desse gênero é necessário ser filosófico.

Transcendence 2

Transcendence (e a partir desse momento só o chamarei assim, o nome em português não tem nada a ver), é um filme que ambiciona, ousa e pretende. A mim, entregou muito mais do que prometeu. Mas haverá aqueles, que usaram as palavras ousado, ambicioso e pretensioso exatamente para criticá-lo. Talvez porque nem todos os que assistirem estejam preparados para refletir sobre os conceitos todos de que ele trata.

O filme parte de uma realidade alternativa reconhecível para um mundo que vai se tornando fantástico a media que a ficção avança, alguns poderão dizer que viajou demais, no que de antemão discordo pois cada elemento utilizado veio para servir na trama.

Transcendence 3

Mostra várias dualidades mas não escolhe lados. Te mostra caminhos diferentes com seus preços a ser pagos e os benefícios a que leva. Discute ética, limites da ciência, religião, fanatismos, individualidade, objetivos da humanidade, terrorismo, ações, táticas e objetivos de governos, e suas ferramentas. E faz tudo isso sem tomar partidos. Sem defender lados. Te conta uma história, um romance, essas coisas todas acontecem a volta e impulsionam a trama, mas o filme deixa para você os julgamentos de cada personagem. Você hora torce por um, ora por outro, ora por um terceiro e deixa a sala de cinema, pensando… e até agora 13 horas depois de encerrada a sessão eu ainda não sei qual das perspectivas demonstradas pelos personagens eu mesmo adotaria em se vivendo naquele mundo.

É esse tipo de obra que é capaz de te fazer pensar no mundo em que a gente vive, os caminhos que a gente adota. Os desejos, os preconceitos que a gente tem; os caminhos e as escolhas que a gente faz.

Transcendence 4

O diretor, apesar de iniciante, pega essa história difícil de ser contada, te bota dentro dela de um jeito, que quando você percebe, já está quase acreditando nela, e neste ponto ele te envolve de você não quer sair do filme, mesmo em seus exageros. O filme começa pelo início da cena final e claro que com isso, já te entregou alguma coisa do fim, ainda assim, o filme te surpreende até o último frame.

Esta crítica, eu escrevi, para quem, assim como eu, gosta da ficção científica, gosta de obras filosóficas. Se não é esse o seu caso nem leve em consideração o que lhes digo. O filme não referencia outras obras da ficção cientifica diretamente, nem do cinema, nem da literatura, mas se você conhece, você sai pensando em Isaac Asimov, Phillip K. Dick você percebe as semelhanças nas discussões e no ambiente da obra. Digo, sim com algum receio, mas ousarei: Esse é o Bladerunner da contemporaneidade. E me causou em duas horas quase a mesma reflexão que toda a obra do Asimov junta.

Transcendence 5

Estrearei minha nota máxima bem antes do que achava, pode ser que me arrependa depois, mas nesse momento, não creio que eu vá. Nota 13 de 13.

Cotação:preguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimopreguiça-alheia ótimo

Autor do post e critico de cinema: Edmundo Fontela Emediato Grieco (O Mário)


About the Author

Gosta de criar analogias absurdas. Apaixonado por quadrinhos e cinema apesar de não conseguir decorar o nome de mais de uma dúzia de diretores, escritores e desenhistas. Acredita que o Magneto é o Jesus dos mutantes. Tem só 60kg, mas merecia pesar uns 150kg.



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