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Published on junho 9th, 2014 | by Leitor / Ouvinte

Crítica do Alto da Torre: X-Men Dias de um Futuro Esquecido

Post enviado pelo crítico de cinema: Edmundo Fontela Emediato Grieco (O Mário)

X-Men Dias de um Futuro Esquecido 1Recapitulando então: se hoje em dia todo ano temos mais de um filme de super-herói (coisa que devo dizer: me agrada), e mesmo que não sejam todos bons, sejam todos grandes produções, isso se deve basicamente a três filmes: Blade (1998) que trouxe de novo os quadrinhos para tela grande sem ser completamente infantilizado (como os Batmans 3 e 4 pareciam ter deixado para sempre). X-Men de 2000, que ousou trazer para o cinema com qualidade filmes de grupos de heróis, e Homem Aranha (2002), a primeira mega-produção do gênero depois de Superman (1978) e Batman (1989).

E já em 2000 Bryan Singer dirigiu o X-Men, que foi um bom filme, vistos com olhos de hoje, pela limitação de tecnologia e orçamento da época, não parece tão grandioso e importante como, de fato, foi. É interessante dizer que Singer não era leitor dos quadrinhos e não conhecia os X-Men até o breafing com executivos da FOX que o levou a assinar contrato: “Nos temos os X-Men ele são mutantes e tem poderes… blá, blá, blá… e eles são discriminados e perseguidos… blá, blá, blá… e tem uma escola de mutantes… blá, blá, blá…” e descreveram uma pancada de personagens e poderes, e Bryan Singer bocejava… até que falaram: “ … e tem também o professor Xavier e o Magneto e eles são como se fossem Martin Luther King e Malcolm X…” nessa hora olhinhos brilharam e Bryan disse que faria o filme. Gosto de contar essa história porque ela diz muito sobre o viés que o diretor pretendia para filmes do X-Men, e porque aqueles em que ele esteve envolvido deram tão certo.

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Então tivemos X-Men (2000) por Singer que era muito bom, e poucos de nós, fãs de quadrinhos percebemos que iniciava ali um processo que tanto nos desagradou, a galãnização, quase glamourização do Wolverine, que originalmente era um personagem tosco e era por isso que era tão bom, mas deixemos de lado por ora. Em X-Men 2 (2003) Bryan Singer, subiu alguns degraus, o orçamento já subiu, a história se aprofundou, e ficou de novo muito bom. A criticar: o foco de novo no Wolverine, nesse universo que é tão amplo e possui tantos personagens em que se valia a pena aprofundar, mas a história em que se baseou era muito boa, o resultado foi bom, e nos prometia, em seu final contar a saga da Fênix no filme seguinte, o que animou todo mundo.

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Só que aí Bryan Singer saiu. Foi seduzido pela Warner, para fazer um filme do Superman, que acabou nem dando muito certo financeiramente. A Fox não quis esperá-lo e então lançaram em 2006 X-Men: Confronto Final, dirigido por Brett Ratner. Um desastre. Coisa digna de ser comparada aos filmes toscos de herói da década de 80 e 90 que saíam direto para vídeo ou nem saíam e só eram produzidos para os estúdios não devolverem (de graça) os direitos sobre os personagens no cinema para a Marvel. Roteiro confuso apesar de raso, centenas de personagens inúteis, mostrados parece que apenas para dizer que faziam parte do universo, mas sem nenhuma relevância na trama. Mistura de plots de várias histórias boas dos quadrinhos, mas formando um enredo esquizofrênico e sem sentido, que retalhou os textos originais de onde se baseou, principalmente no que tange a “Saga da Fenix” prometida ao fim do segundo filme.

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De lá até aqui, a FOX continuou, com X-Men Origens: Wolverine (2009) e Wolverine Imortal (2013), filmes que vou me limitar a definir como um erro, e permanecer no erro. Não valem mais do que essas linhas.

Tivemos Também X-Men: Primeira Classe (2011) dirigido por Matthew Vaughn, que soou em princípio como um reboot, se passava na época da crise dos mísseis de Cuba (1962), apresentava a juventude do Professor Xavier e do Magneto, a amizade entre os dois, e também o Fera, a Mística e sua relação com eles, um monte de outros mutantes ainda não trabalhados no cinema. Wolverine fez só uma ponta (quase rouba o filme), mas voltou a dar esperança de focarem mais outros personagens. Ficou muito bom e era a esperança de dali saírem outros filmes bons dos X-Men.

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Depois dessa longuíssima introdução (desculpem, não resisti, vez que acho que precisava de uma linearidade para criticar o filme atual, e novo que sou nesse espaço e nessa atividade, não tinha críticas anteriores para lhes dar o background), chegamos enfim a: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Baseado (mesmo que de leve) numa das mais clássicas e divertidas histórias dos X-Men nos quadrinhos e com Bryan Singer de volta. Confesso, que em princípio não estava colocando muita fé, pelo histórico da FOX, pelo avançadíssimo processo de quase coxinização do Wolverine, e até pelo erro do Singer com o Superman. Fui desconfiado, mas o filme foi me desarmando.

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O foco é de novo no Wolverine? É! Mas como no filme 1 e 2, a trama te explica isso, não é o Wolverine igual ao original das hqs, mas está menos distante dele do que nos outros filmes.Tem centenas de mutantes fazendo pontas? Tem! Mas todos com sua respectiva função narrativa. Se nem todos são devidamente apresentados e/ou evoluídos na trama, nenhuma das participações chega a ser irrelevante. Muda muito a história original dos quadrinhos? Muda! Mas nem teria como encaixar no universo cinematográfico anteriores (tão deturpado das revistas) um roteiro igual ao das revistas. Mas respeita o cerne da história. A estrutura. O objetivo. Os personagens e as personalidades. Deixa furos na relação com os outros filmes? Claro! Com o tanto de lambança que foi feito dentro desse universo era impossível não deixar. Mas o filme te conduz, te leva, te envolve e te empolga. Corrige o que era o principal, corrigir, e ignora um ou outro lance que você pode muito bem deixar passar batido dos filmes anteriores, e só quem conhece e lembra muito e procure, vai achar esses furos.

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E o Bryan Singer, genialmente consegue, nessa história que começa no futuro e tem a viagem no tempo, te entregar um universo, muito mais interessante que os deixados após o terceiro filme. Te deixa num ponto em que a história pode ser continuada a partir de 1973 (ano em que se passa a maior parte do filme) com Xavier, Magneto, Fera e Mística Jovens, e pode também continuar contando histórias dos personagens dos três primeiros filmes, seja recontando como foi que as coisas se passaram depois da mudança na história em 1973, seja contando o que acontece a partir do momento da volta do Wolverine de sua viagem no tempo.

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Após todos os créditos uma cena pequenininha, mas que fãs dos X-Men Vão delirar: Aguardem!

Ainda acho que o melhor blockbuster dessa temporada seja o Capitão América 2 – O Soldado Invernal, o filme do X-Men é tão bom, que apesar de ficar um pouquinho ali atrás receberá a mesma nota: 12/13
Cotação:

Nota 12

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