Jogos

Published on agosto 7th, 2013 | by Leitor / Ouvinte

Ezio não tem culpa, mas jogos são sim violentos

PM e AC

Por Leandro Tavares

De tempos em tempos, crimes bárbaros ganham primeiras páginas de jornais pelo mundo, reportagens especiais no Jornal Nacional e até mesmo os polêmicos programas policiais dedicados inteiramente ao assunto. A bola da vez agora é o caso do garoto de 13 anos, filho de policiais, que teria assassinado (teria, pois a maratona Revenge me leva a sempre duvidar dos culpados oficiais) os pais, a tia e  avó. E como em vários outros casos, a culpa é do videogame.

É chover no molhado dizer que a culpa não é dos jogos, neste caso, de Assassin’s Creed (a foto do perfil do rapazinho no Facebook era do Ezio, vejam que grande prova o Marcelo Rezende nos esfrega na cara). Todos nós, alucinados nas artes eletrônicas desde antes dos 13 anos, sabemos que games, filmes, música e simpatizantes possuem o poder de influência apenas em pessoas com distúrbios psicológicos e traumas sociais. Nada que pais presentes e amorosos, que orientarem seus filhos a diferenciar a ficção da realidade, não resolva.

No entanto, precisamos refletir sobre algo que gamers, principalmente os hardcores, não prestam atenção: jogos são violentos. E muito.

Para quem possui mais de 25 anos (como eu), a primeira experiência com violência em videogames deve ser em Mortal Kombat e Doom. Aqueles pixels explodindo de oponentes mortos eram um chamariz e tanto. Queríamos jogar “por que tem sangue”. MK era “animal” pois “o cara arranca o coração do peito do outro”.

carmageddon

E o tempo passou. Vimos surgir títulos como Carmageddon, Residente Evil, GTA, God of War. A alta oferta de violência nos “anestesiou”. Aprendemos a encarar a violência nos games como algo comum, que nem sempre é o que define nossa vontade de comprar um jogo.

Não te conheço, querido leitor. Mas tenho certeza que você seria incapaz de cometer um crime desses. Se cometer, duvido que a culpa seja dos nocautes de Far Cry 3. Seria até mesmo capaz de apostar que você usa seus videogames como válvula de escape, um passatempo para desestressar ou ate mesmo para refletir na vida. Afinal, a maioria dos gamers optam pelo caminho Paragon em Mass Effect e Dragon Age. Paragons não cometem crimes.

Entretanto devemos reconhecer que a violência é chamativa para que não tem contato com nosso universo. Assim como nas faculdades de medicina há muito alunos que sentem enjoos e outros desconfortos ao abrir pela primeira vez um cadáver. Anos depois, essa prática fica comum para os estudantes, assim como matar russos às toneladas na série Call of Duty não nos surpreende mais.

Essa é visão de alguém com 27 anos, 24 destes passados em frente à uma TV jogando de Mario a Battlefield. Para uma criança que não possui toda essa base e essa experiência, poder jogar Black Ops 2 é uma libertação das amarradas da idade. Afinal, todo mundo que joga Pokémon odeia ouvir que “este jogo é para criança”.

Consumir um produto com o selo “proibido para menores de 18 anos” possui maior influência psicológica e, logo, faz este ser mais procurado ainda por menores de idade. O comediante Danilo Gentili fala isso sobre seu livro “Como ser o pior aluno da escola”, revelando que a obra vendeu mais após o Ministério Público rotular o título como material impróprio.

Não se enganem: a culpa não é do Ezio. Não por ele usar lâminas no lugar de armas de fogo, mas por todo caminho até um crime ser muito maior do que traumas familiares, escolares, sociais. A discussão não pode ser tão simplificada, algo que a grande mídia, principalmente a TV e o rádio, com seus grade horária limitada, adoram ignorar em prol da notícia sintetizada, com off, passagem sonoras e sobe-som. Porém ao mesmo tempo é leviano ignorar o fato de que a violência nos games é gigante. E isso não muda nada.

Jogos seguirão sendo vendidos. Algumas crianças seguirão sendo sociopatas em potencial e a qualquer momento podem ter um “cinco minutos” e cometer crimes. E quem desconhece um universo X seguirá sem preocupação de apurar melhor a notícia caso o espaço seja insuficiente.

Portanto faça sua parte quando chegar a sua vez de ser pai. Ame, oriente e compartilhe da vida de seus filhos. De consolo fica a imagem de Marcelo D2, aquele que foi achincalhado nos anos 90 por “fazer apologia às drogas” participando de programas e trilhas sonoras de novelas na Globo.

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