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Published on Março 30th, 2017 | by Bernão

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Ghost In The Shell – A vigilante do Amanhã

O filme que estreou nesse 30 de março é uma adaptação do anime/mangá de mesmo nome, conta com a talentosíssima Scarlett Johansson no papel principal, vivendo na pele, ou melhor, na fibra sintética da Major, a primeira de sua espécie (meio humana e meio máquina). A Torre dos Gurus teve o prazer de conferir esse filme e agora queremos comentar com vocês!

Primeiramente não sei quanto vocês estão familiarizados com o conceito de cyberpunk, subgênero de ficção no qual se ambienta o filme. Tem a ver com a ideia de um futuro distópico, onde existe uma tecnologia muito avançada, cheia de implantes cibernéticos capazes de qualquer upgrade no seu corpo, ao mesmo tempo em que existe uma degradação cada vez maior do ser humano, que fica cada vez mais isolado e decrépito. Basta lembrar de alguns filmes como: Bladerunner, Vingador do Futuro, Agente do Futuro, tudo isso é bem cyberpunk. No Ghost in the Shell temos um ambiente predominantemente escuro, uma megalópole com hologramas gigantescos por toda parte, o que é lindo demais de se ver. Muitas pessoas estranhas, com nacionalidades e culturas muito heterogêneas, todos com implantes cibernéticos dos mais variados e malucos.

No meio disso tudo temos nossa querida major, que foi resgatada de um naufrágio

de um navio de refugiados atacados por terroristas. Seu cérebro conseguiu ser salvo e agora ela vive dentro de um corpo sintético, ou seja, tem uma mente humana e um corpo robótico, “o que todos serão um dia”, já que a superação do corpo é a ideia chave da vida eterna, daí vem a ideia de ghost in the shell. É muito interessante essa ideia, pois a melhor tradução de “ghost” é “fantasma”, o que no filme foi traduzido como “alma”, contudo, o fantasma é justamente a alma que se nega a ir embora, fica ancorada em algo terreno ainda, no caso, uma concha, uma casca, “a shell”. Uma ostra que tem no seu interior, totalmente protegida, como uma pérola, a alma humana.

Temática essa que atravessa tanto o filme, quanto o anime e mangá de cabo a rabo, inclusive está na maior parte dos temas cyberpunk. Conforme nossa relação com as máquinas e a realidade virtual aumenta, como podemos saber a diferença entre as barreiras do eu, físico, virtual e cibernético? Isso bota em cheque a concepção platônica que orienta o ocidente por mais de 2 mil anos, a divisão ente corpo e alma pode não fazer sentido nenhum, já pensou nisso? Pois é… a Major pensa bastante! (Rs)

Vamos agora a uma análise mais detalhada do filme. Primeiramente, Scarlett tem uma presença sensacional no filme, porque em vários momentos você fica na dúvida se ela é mesmo uma humana ou não. Na maioria das vezes ela não demonstra muitas expressões, e quando elas vêm, aparecem como raiva e destruição. Tanto que chega a ser algo comentado pelo Batou: “você não sente nada?”. Algo maravilhoso que no decorrer do filme vai se transformando, ficando mais maravilhoso ainda.

A parceria da Scarlett com Pilou Asbæk (Batou) também ficou sensacional, “a true cop partners”! Sem contar a presença do Beat Takeshi Kitano (Aramaki) que quando entrava em cena parecia um samurai do Japão feudal! Coisa de outro mundo!

Como se trata de uma adaptação, ou uma adaptação de uma adaptação, é impossível não comparar com as obras anteriores, o que em sua grande parte é muito parecido, trazendo cenas idênticas, o que agrada muito aos fãs. Claro que existem diferenças, afinal, adaptação significa isso, contudo, se respeitou muito a obra original. Porém vou trazer alguns pontos em que a memória me chamou a atenção, o anime foca muito o contraste tecnologia e riqueza, com subdesenvolvimento e pobreza, o que percebemos em um trecho de vários minutos onde se mostra exclusivamente essas cenas contrastes na cidade, isso ficou menos evidente, assim como também foi diminuído a cena dos lixeiros que tiveram a mente apagada, e a perseguição no mercado. Mas sem prejuízo nenhum, comentário de fã Hardcore… Outra coisa que achei estranho foram as cenas na cidade onde hora estavam lotadas de gente, e em outros momentos não tinha ninguém! Uma cena na rua de um futuro superpopuloso, onde a desgraça se multiplica loucamente, e de repente estão trocando tiros em ruas desertas… Estranho.

Outra coisa de se chamar atenção foi o próprio ritmo da história, muito mais acelerado que o anime, também não vejo como problema, mas é efeito notável da ocidentalização e adaptação da mídia. O que ao meu ver ficou bom, e vai agradar ao público.

*** Spoiler Alert ***

Outras duas mudanças fundamentais que também percebi, acredito que vão agradar mais o público comum. A primeira delas é a mudança do desenvolvimento da história, no original, o “vilão” Zuke é na verdade uma inteligência artificial que ganha consciência no mundo virtual e tenta alcançar a vida, precisando da ajuda da Major para isso. Enquanto ela vai se dando conta do que está acontecendo, vai passando por uma introspecção, uma dúvida pessoal do que é a própria vida, e de quem é ela. É uma pegada muito mais subjetiva, ontológica, intimista. O que muda no filme, pois se revela uma verdade exterior a ela, onde descobre que sua mente foi apagada, e que junto com o Zuke (que ficou ótimo) e outras crianças pobres, foram sequestradas, tiveram os corpos destruídos e mentes deturpadas, se tornando assim máquinas perfeitas, “armas perfeitas”. Essa é uma excelente virada no filme, mesmo o trailer já apontando nessa direção, a emoção é bem maior do que no anime, sem dúvida. Porém, acho uma escolha totalmente comercial e pouco original, mas para o grande público, funciona bem. Mais ainda quando se remonta esse passado dela e aparece a figura da mãe, que nunca acreditou na morte da filha desaparecida e ainda deixa o quarto dela intocado. É de partir o coração, excelente.

Existe um certo problema discursivo que me chamou a atenção, quando aquelas frases de efeito aparecem, do tipo “não é seu passado que te define, mas o seu presente”, isso fica muito estranho, pois se trata de uma contradição, pois é só quando ela desenterra seu passado que algo muda no presente, então ficou um discurso descolado, meio sem sentido, estranho, “forçou a barra” do pop.

De resto, só podemos agradecer a direção de Rupert Sanders, o trabalho de toda equipe de produção e de efeitos especiais, isso somado aos atores teve um resultado acima da média. Com certeza mais sucesso de bilheteria da Paramount! Assistam!

E para já ir entrando no clima anos 80/90, pegue o novo CD do Depeche Mode (Spirit)… and pull the trigger!


About the Author

Psicólogo, gosta de RPGs, HQs, Livros de fantasia, filmes, fã de Boas Histórias em Geral, procura ver nisso tudo algo que faça um sentido além da mera diversão.
Tarólogo e Piloto de helicóptero nas horas vagas.
Odeia Robôs Gigantes acima de tudo !



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