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Published on julho 31st, 2014 | by Carol Lima

inFamous Second Son

E aí, galera!

Desde o momento que o primeiro game da franquia inFamous fora anunciado, eu soube de seu potencial. Um game mundo aberto com um protagonista dotado de poderes, em uma história original, que usaria o estilo HQ em suas cutscenes… E que permitia o sistema de escolhas, entre o Karma do Bem e o do Mal. Isso, por si só, já me atraiu bastante para o que a Sucker Punch (mesma produtora de Sly Cooper) queria nos apresentar como um novo exclusivo de PS3. O game não era perfeito, a movimentação e as feições dos personagens eram um tanto desleixadas. No quesito gráficos, não era nada primoroso, mas no quesito gameplay, era bem divertido. Funcionava como um Third Person Shooter, só que ao invés de balas, eram raios vindos de Cole MacGrath (protagonista dos dois primeiros games).

5 anos depois, agora no PS4, temos uma espécie de novo começo para a franquia, devido a uma nova história, com novos personagens e outra ambientação. Mas não estou dizendo que é um reboot, até porque Second Son se passa 7 anos após os eventos de inFamous 2, levando em conta o final do bem (ou seja, os finais do mal em ambos os games anteriores serviram como uma espécie de “What If…?“), e há até uma missão exclusiva da Edição Limitada na qual se explora mais acerca do que ocorreu nesse espaço de tempo. Nada tão relevante, atrevo-me a dizer, então não precisam se preocupar. Agora, vamos ao game, de fato.

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 Logo de cara, conhecemos o novo protagonista, Delsin Rowe, um grafiteiro que se diz fazer arte e é visto como delinquente entre os Akomish, tribo a qual ele e seu irmão, Reggie (o policial escoteiro), pertencem. Na hora do grafite é necessário chacoalhar o controle como se fosse uma lata de spray e apertar R2 para começar a arte, e devo dizer, esse é um aspecto bem divertido do game (a luz do Dualshock 4 inclusive muda para a cor que será utilizada na pichação, enquanto que o som do spray sai pelo alto-falante do controle). Logo após essa introdução a essa atividade que virá a ser recorrente durante o game, temos agora que escapar de Reggie, e encontramos com Betty, a adorável senhorinha que o alerta de suas atividades. Logo após, temos a chance de testar a movimentação de Delsin, (ao driblar o local e tentar fazer parecer que não estávamos no local da atividade artística) e, se comparado com os games anteriores, aqui se encontra muito mais fluida, logo, mais fácil e bem mais ágil.

Acaba que a escapada não dá certo, Reggie já sabe o que seu irmão aprontou e isso desencadeia numa discussão entre os dois, que é interrompida com um carro com detentos da DUP (Department of Unified Protection, ou Departamento de Proteção Unificada) que acaba por capotar no local. Com isso, ambos investigam a área, e Delsin tem contato com um dos detentos, o qual tem seu poder “absorvido” pelo rapaz, descobrindo ser também um Condutor. Após ver parcialmente do que é capaz e tentar enfrentar Hank, o detento, eis que conhecemos a vilã do pedaço, e chefe da DUP: Brooke Augustine, que após ameaçar Delsin e sua tribo, nos dá a primeira escolha do game.

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Passado o breve resumo do início da história, vamos ao game de fato. Logo de cara, deve-se reparar na qualidade gráfica do game: seja o pôr-do-sol, a demonstração dos poderes, certos movimentos corporais ou expressões faciais bem realistas (em algo que se assemelha bastante ao já visto no game L.A. Noire), esse é um fator que simplesmente arrasa e demonstra o potencial do PS4. Os poderes aqui apresentados (Fumaça, Neon, Vídeo e Concreto) não foram escolhidos à toa, e sim para ilustrar justamente o potencial gráfico, e que ficam belíssimos se usados no modo Photo Mode, no qual pode fazer um feito e utilizar deste artifício para tirar uma screenshot e modificá-la da forma que quiser, além de dar upload dela.

Diferente dos games anteriores, desta vez quase não há side-missions, resumindo-se em missões (ou como as considero, atividades) nas quais deve realizar pichações, destruir câmeras escondidas, achar agentes infiltrados na multidão e achar arquivos de áudio que ilustram melhor a história prévia (e tudo isso acaba por desbloquear confrontos nos distritos, para tirar o poder local da DUP). Há situações cármicas nas quais deve acabar com um grupo de traficantes (Karma do Bem), ou matar artistas de rua (Karma do Mal), por exemplo. Tudo o que fora citado aqui, depois de um tempo fica um tanto repetitivo, mas, estranhamente, não fica tão maçante (só eu me diverti com todas as pichações?), mas após terminar todas essas atividades e tirar o controle completo da DUP, não há mais o que fazer, deixando o game com uma vida útil um tanto curta (fora as apenas 6, 7 horas de jogatina das missões principais).

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O desenvolvimento dos personagens é algo a se louvar aqui. Cada um deles tem seu tempo, e mesmo os que aparecem pouco são bem utilizados. Você nutre uma ligação com eles, algo que ocorre devidamente ao uso do motion capture, deixando cada expressão transparecer bem seus sentimentos, e a dublagem que soa natural. E ambas as dublagens americana e brasileira são boas, e a segunda é algo que tem melhorado bastante desde 2011 (quando os primeiros games dublados exclusivos da Sony eram Killzone 3, inFamous 2 e Uncharted 3), vide o trabalho em um exclusivo “recente”, que é The Last of Us, cuja dublagem também é muito boa.

Outra visão e o caminho do mal
por Leandro Tavares

Mudando brevemente de guru neste trecho do texto, pois joguei inFamous Second Son até a platina e quero compartilhar algumas falhas que me incomodaram bastante.

Completei o game até o final com o carma do bem, portanto minha segunda jogada foi seguindo o caminho do mal. Alguns detalhes deixam a experiência diferente, como a luz do controle que passa a ser vermelha, bem como os poderes e roupas do personagem que passam a ter tons rubros, assim como acontecia com Cole nas versões de PS3 da série.

Porém diferentemente do que foi feito na geração antiga, a opção pela mudança de carga se dá em momento chave do jogo. São poucas as missões que te levam pelo caminho da vilania, e até o desfecho do jogo suas ações refletem em resultados tímidos na história do game, chegando ao cúmulo de, tanto com seu personagem bom ou mal, seu irmão lhe dizer em determinado momento que “tem orgulho de você”.

Detalhes como esse levantam velhos questionamentos em game de “qual o motivo desta escolha”, já que não é a primeira vez que vemos uma formação de caráter do personagem influenciado por escolhidos do jogador resultar em nada no final da trama (como no polêmico final do excelente Mass Effect 3, ou de Deus Ex: Human Revolution).

Mesmo com esta observação, acompanho a Carol na nota, uma vez que a proposta de games em início de geração, infelizmente, não é retomar a antiga geração evoluindo ferramente e conceitos, e sim apresentar possibilidades da máquina. Isso inFamous Second Son faz muito bem, das mecânicas ao gráfico. E ponto positivo para a dublagem que, apesar de ainda ser inferior ao que vimos em filmes, está melhorando e não atrapalha, mesmo com pequenos deslizes aqui e ali.

Nota: 8,0

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About the Author

Estudante, futura Jornalista e Marvete desde a infância, mas passando por desilusões com a editora atualmente. Tem o hábito de curtir coisas independentes, variando de música até games. Não dispensa uma boa ficção-científica.



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