HQ

Published on janeiro 11th, 2014 | by Mayara Itacaramby

Ingá

No quarto lançamento da linha de Graphic Novels da MSP, temos Piteco, nosso homem das cavernas favorito (afinal, não vale Capitão Caverna – nem seu filho Caverninha!), pelo ilustrador, grafiteiro e artista plástico Shiko.

Com um enredo envolvente e ilustrações incríveis, Shiko consegue ambientar Piteco na sociedade tribal e nos convencer do papel dele na comunidade e sua importância, tal como Thuga, sua namorada nos quadrinhos. Shiko utiliza Thuga, em alguns momentos, como narradora para contar sobre a origem desse povo, suas características e seu destino – que ela, como sacerdotisa, tem a visão e talvez o poder de alterar.

Contando com sequestro, armadilhas e tramas do folclore, Shiko entrelaça a origem do homem com a origem do personagem em si  – com uma arte-final invejável, todas as páginas pintadas em aquarela,  ”Ingá” mantém o nível das outras publicações e se destaca pelo conteúdo mais adulto e maduro.

Inga Tigres

Thiérri: A Mayara enviou o texto, mas eu não poderia deixar passar sem dar os meus Pitecos… digo… meus pitacos!

De todas os títulos anunciados, Piteco foi o que menos me chamou atenção. Nunca fui fã do personagem e não conseguia imaginar como ele poderia render uma boa história. Mas depois de ler as outras três, achei que merecia um voto de confiança! O enredo me envolveu e se não fosse o toque mágico que os irmãos Cafaggi deram em Laços, Ingá sairia com o título de melhor HQ dessa primeira temporada de Graphics.

Como a Mayara disse, os elementos brasileiros estão muito presentes e para quem não sabe, o Anhanguera além de ser um personagem folclórico é um dinossauro que habitava o nosso país há um porradilhão de anos atrás! Mas o mais legal, sem dúvida, é que a pedra INGÁ existe mesmo na Paraíba! O Shiko usou os desenhos que estão lá desde os primórdios da raça humana no Brasil e deu uma interpretação para eles nesse brilhante gibi.

A arte é incrível e o trabalho em aquarela consegue colocar o leitor dentro do ambiente climático. O artista conseguiu me incomodar durante boa parte da história: os tons pastéis da seca são desconfortáveis e me fizeram querer mudar de página com a mesma vontade que a tribo queria sair dali para buscar algo com mais vida. O mesmo acontece com as cores sufocantes da floresta ou a sensação de aperto dentro da tribo rival. Em outras palavras: Shiko consegue fazer, com a arte final, com que a gente sinta as mesmas angústias que nossos heróis! GÊNIO!!!

Pitaco Floresta

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Gosta de personagens alternativos, uma mistura de Oscar Wao, Tom Bombadil e Tempestade que ama literatura, F1 e refrigerante sem gás.



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