Filmes

Published on Janeiro 4th, 2016 | by Bernão

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Macbeth: Ambição e Guerra

Macbeth_2015_posterNão faz muito tempo que tive meu primeiro contato com Shakespeare, fui convidado a assistir Hamlet no que seria a apresentação de formatura da turma de Teatro da Fundação de Artes São Caetano há mais ou menos um ano e pouco. Após a apresentação fiquei absorto, alguns dias depois e eu ainda estava embasbacado, com as entranhas reviradas pelo avesso, aquela experiência gloriosamente trágica me marcou profundamente. As falas profundas, os dilemas apresentados, o sentimento mais profundo, o drama, o trágico, traduziam de forma precisa a experiência do que é ser humano, foi uma sensação única. E foi com o desejo de sentir novamente essa sensação que fui ao cinema ver Macbeth: Ambição e Guerra.

Dirigido por Justin Kurzel e estrelado por Michael Fassbender no papel de Macbeth, o filme retrata a trágica história de Macbeth, que no final de uma grande batalha pela Escócia ao qual sai vitorioso, encontra três bruxas que predizem o seu futuro, no qual se tornará rei da Escócia. Feliz com a notícia e percebendo que a previsão será concretizada, Macbeth compartilha o ocorrido com sua esposa, que ambiciosamente o pressiona a tomar um atalho e matar o rei. Macbeth vacila de início, mas é consumido pela ambição e pela pressão de sua esposa, após o assassinato em si, temos início a uma espiral decadente do nosso personagem principal, o levando a uma trajetória nefasta e perversa em nome do poder, e depois consumido pela loucura, megalomania e paranoia.

De começo devo salientar como um projeto desse tem duas complicações de saída, sendo a primeira do peso da obra em si, não estamos falando de qualquer peça, estamos falando de Shakespeare, isso traz uma seriedade muito importante ao filme, estamos falando de uma tragédia, gênero esse de difícil manejo, escolha de grande responsabilidade. A segunda complicação é quanto ao formato, apresentar Shakespeare no teatro já é um desafio, adaptá-lo ao cinema se torna ainda mais desafiador.

Macbeth-2015

Muito bem, como seria transpor a essência das obras de Shakespeare para o cinema? A trupe que interpreta uma obra de Shakespeare no teatro deve ser no mínimo excelente em sua atuação, o roteiro, os personagens, os diálogos não dão espaço para amenidades, tudo tende ao exagero, a tragédia só toca o espectador se for quase real, as lágrimas, o sangue e a loucura devem ser extremas, agudas em sua atuação, caso contrário não estamos falando de Shakespeare. Com os elementos cinematográficos não poderia ser diferente.

fassbender

E nesse sentido Justin Kurzel cumpriu seu papel, o cenário estava estupendo, fotografia impecável, detalhes da atuação bem marcados pelas câmeras, efeitos especiais importantes, porém sem exageros. A trilha sonora também se encaixou muito bem ao contexto, sem contar a ótima atuação de Michael Fassbender, Marion Cotillard (Lady Macbeth), Paddy Considine (Banquo), David Thewlis (Rei Duncan) e Sean Harris (Macduff), sendo que as falas em forma de poesia fizeram toda a diferença e introduziram um charme a mais que muitos diretores atuais teriam dispensado (e eu entenderia numa boa).

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Agora, se tem algo que pode ser criticado, é esse mesmo excesso de recursos visuais, cenas em câmera lenta que não tinham tanta necessidade, cortes rápidos, meio como lembranças repentinas, ficaram um pouco estranhas as vezes. Mas acho muito difícil criticar o que foi feito, na minha opinião o filme pedia esses excessos, Kurzel fez a aposta nisso mesmo, e criticar isso é como olhar Picasso e dizer “ei, acho que ficou quadrado demais!”. Afinal, “what’s done cannot be undone”.

Nota 4 de 5 regicídios!

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Psicólogo, gosta de RPGs, HQs, Livros de fantasia, filmes, fã de Boas Histórias em Geral, procura ver nisso tudo algo que faça um sentido além da mera diversão.
Tarólogo e Piloto de helicóptero nas horas vagas.
Odeia Robôs Gigantes acima de tudo !



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