Jogos

Published on julho 31st, 2014 | by Bruno Arruda

O futuro do cenário e-sports no Brasil

Posso estar falando bobagem, mas o brasileiro ainda vai dar o braço a torcer quando o assunto é jogo eletrônico. “Desliga essa porcaria aí que isso não te leva a nada…”; “Videogame só serve pra estragar sua vista e essa televisão”; “O que você acha que vai aprender jogando videogame?”. Quem nunca ouviu alguma dessas frase?

Eu nem vou usar esse post para entrar no mérito que videogame me ensinou mais inglês e história do que muito professor por aí. Esse tema eu deixo pra uma outra oportunidade. Eu quero aproveitar o texto para introduzir uma discussão nova na sociedade “moderna”: afinal, e-sports vai vingar e realmente ser reconhecido como esporte de verdade?

E pra você que tá boiando, eu explico: e-sports é a abreviação para eletronic sports, ou simplesmente esportes eletrônicos. Todas as pessoas que jogam videogame por profissão são considerados atletas. Ou pelo menos na Coréia e nos EUA. Por aqui essa modernidade ainda não chegou, apesar de termos premiações altíssimas para os campeões de Dota 2, League of Legends e outros jogos do cenário competitivo atual. Outrora, na época de ouro das lan-houses, era o Counter Strike. Deu pra entender que cazzo é e-sports, né?

Pois bem… vamos aos fatos atuais. Semana passada, no dia 26 de julho, ocorreu a final do Campeonato Brasileiro de League of Legends, jogo da Riot para computadores, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro. Exatamente, o Maracanãzinho que vocês devem conhecer das finais de voleibol da Seleção Brasileira. Com premiação de 55 mil reais para o campeão. E o bagulho estava chapado de gente. 6 mil pagantes. 6 mil, amigos.

lolw

O evento teve entrada da taça de campeão, anúncio da escalação com o público indo ao delírio com cada nome e show de uma banda com orquestra! E, assim como todo evento esportivo, foi transmitido ao vivo para o mundo através da internet. E o canal da Riot no Twitch teve MUITO, mas muito acesso. Milhares e milhares de pessoas assistindo ao vivo. Queria que saísse algum dado de ibope para poder comparar com algum jogo do Campeonato Brasileiro de Futebol. E a transmissão é de alto nível, com comentaristas, show do intervalo, replay, análise de lances e tudo que tem direito.

O KaBuM e-sports ter vencido a CNB não é bem aonde eu quero chegar, apesar de tudo.

O dia 29 de julho que é importante. O dia com a primeira transferência de jogadores entre times e-sports no Brasil. 2 jogadores da CNB foram contratados para o time Keyd Stars. O mesmo time que, alguns meses atrás, tinha contratado 2 sul-coreanos para dar um gás no time. Mesmo com valores não revelados, assusta, eu sei… não são todas as pessoas que, mesmo lendo esse texto até aqui, vai achar isso normal. Faça você mesmo o teste… chega para alguma pessoa que não está muito familiarizado com o assunto e conta qualquer coisa desse texto. A pessoa vai ficar com cara de assustada. E vai duvidar de quase tudo que você disse.

Eu cheguei a ler no Facebook um dos jogadores dizendo que parou de estudar na faculdade para se dedicar exclusivamente ao e-sports. E muita gente sacrificou o cara. Aí que vem a minha pergunta provocadora: “porque ninguém fala um monte para os nossos queridos jogadores de futebol que pararam de estudar na quinta série para se dedicar ao sonho de ser jogador?”. E aí o silêncio vira resposta.

Era aí que eu queria chegar: porque ficar falando que e-sports não é “esporte de verdade”? Se ao falarmos as mesmas coisas para o jogador de futebol / volei / basquete / handebol, está tudo certo? O preconceito fala alto nessas horas. A única dicussão que eu queria trazer era essa. Um beijo no coração de todos vocês.

Tags: ,


About the Author

Fã declarado do Kira. Acha Shadow of the Colossus superestimado. Seu animal preferido é o macaco. Sabe até hoje a música de abertura dos Changeman e já se mijou pelo Jaspion.



Back to Top ↑
  • Categorias


  • PODCAST DESTAQUE

  • Curta a TdG