Nas Catacumbas da Torre

Published on setembro 16th, 2013 | by Makson Lima

Outlast

Sim. Outlast. De novo. E não vou me cansar de trazer esse troço à tona, já que, exatos sete dias, dez horas e cinquenta minutos depois de ter terminado, a experiência ainda me derruba só de lembrar de certos momentos. Você precisa crer no quão físico é. Para deixar ainda mais claro, Amnesia: A Machine for Pigs foi lançado na última terça e era, indubitavelmente, meu jogo mais esperado do ano. Sequer toquei nele desde então. Sequer joguei outra coisa por toda semana subsequente – minto, ontem me diverti horrores com Rayman Legends, meio que numa tentativa pueril de limpar a casa e, claro, minhas próprias entranhas.

Fiz uma declaração de amor para Outlast há uma semana, declaração esta que você pode ler aqui  (posso fazer isso aqui? Digo, divulgar texto de outro site? Claro que posso. É assim que o mundo gira. Certo?). Caso tais linhas não sejam o bastante para você, ó assíduo amante do terror e do bizarro, recomendo alguns vídeos daquele que, mãos dadas ao Angry Video Game Nerd, é meu sujeito favorito na internet. Porque muito mais do que vídeos de gameplay com comentários de youtubers (argh, odeio esse termo horrível) que não tem nada a dizer, PewDiePie é um sujeito que, como eu, mergulha de cabeça nos jogos.  Experimente, pode ser que funcione, porque o cara sofre horrores.

Esses tempos li algo sobre o porquê do fascínio por algo tão revoltante e causador de repulsa. Por que o terror funciona tão bem, atraí tanta gente? Quanto a mim, é uma mera questão de realidade-ficção e como o abismo que há entre tão extremas posições me seduz. Aqueles velhos papos platônicos e aristotélicos que discernem o homem bom do homem mau pela concretização e a asfixia de anseios primitivos. A catarse é necessária. É necessário exteriorizar sentimentos, necessidades, já que, quando reprimidas, tentem a explodir em momentos inoportunos, tal qual uma panela de pressão cheia de feijão. E não haveria como classificar Outlast de melhor forma: explosão de catarse.

Eu não tenho fetishes masoquistas. Não gosto de sofrer deliberadamente. No entanto, não pude parar de jogar Outlast enquanto não via os créditos finais tela acima. Qual a explicação para isso, já que tal experiência é, como já foi repetido vezes sem fim nestas breves linhas, tão física e desgastante? Não consigo pensar em nada além de estar – sentir – algo tão distante da minha realidade cotidiana, que valores inadmissíveis enquanto verdade parecem sublimes enquanto ficção. Este distanciamento – antes dito abismo – torna a existência menos ordinária, por mais excepcional que esta possa ser. Um sujeito que vive na China, Moçambique, Mongólia, Finlândia – um sujeito com uma realidade completamente distinta da minha – pode criar interesse pela mesmíssima coisa. Como é possível ser mais fascinante que isto?

De qualquer maneira, Outlast é nada menos que um dever cívico e moral de todo e qualquer fã de terror. Seja em cinema, literatura, quadrinhos ou videogames, caso você tenha interesse em dar o próximo passo, em cruzar a perigosa linha, experimente. Compartilhe o que achou. Xingue, enalteça, mas fale por aí. Quem sabe todo esse submundo nascido à periferia da obra-prima da Red Barrel crie alarde para atrair a atenção de outros desenvolvedores por aí, mostrando de forma sincera o que seu público-alvo quer de verdade. Capcom e Konami, estou olhando para vocês.

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About the Author

Além de detestar falar de si mesmo na terceira pessoa, tem certa obsessão pelo fundo do poço cinematográfico. Séries como Silent Hill, Resident Evil, Shin Megami Tensei e Final Fantasy trazem razão para sua existência e acha absurda a internet do "amo/odeio". Recluso, introspectivo, com um pé na sociopatia e com saúde debilitada, não acredita no ser humano como espécie cosmopolita.



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