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Published on outubro 17th, 2013 | by Redação TdG

Pokémon troca ‘cores’ por alfabeto sem perder a magia

Por Leandro Tavares

Ao contrário do que o mundo tenta esfregar nas nossas faces todos os dias, magia existe. claro que não aquela magia de Final Fantasy, mas uma muito mais importante para nossas vidas. É aquele poder quase transcendental de capturar as pessoas, e cada um desses poderes tem um nome. Oratória, carisma, visão… magia. É o que Walt Disney buscou elevar à infinita potência ao construir seus parques temáticos. É o que a dupla NintendoGame Freak faz com jogadores há quase duas décadas.

Minha primeira experiência com Pokémon foi em 1998, quando eu tinha 12 anos. Em novembro daquele ano, meu irmão e eu já tínhamos uma noção do esperar do game que estava sendo anunciado na propaganda da Direct Shopping na nossa Nintendo World – afinal, a própria revista havia dedicado um box numa das edições para falar sobre a chegada do título ao ocidente e dar uma breve sinopse sobre o jogo. Em dezembro, nossa versão vermelha chegou pelo correio junto com The Legend of Zelda: Ocarina of Time.

Aquela sensação de explorar um enorme mundo desconhecido não era inédita. A sensação de fazer isso capturando novos pokémons, montando times de acordo com o tipo dos bichinhos de bolso e treinando duro para ser um mestre, essas sim eram inéditas. O jogo faz você se preocupar com os personagens, e não estou falando dos humanos. Diferente de jogos que apresentam personagens com histórias pesadas e fazem você querer ajudar de alguma forma (no caso do videogame, você ajuda jogando), Pokémon quase faz de você um defensor dos direitos dos animais às avessas: você promove rinhas com eles, e isso é feio, porém fica de coração partido quando seu coleguinha desmaia em uma luta.

É isso que X & Y faz com seus jogadores, mesmo quase duas décadas após a primeira vez que o Professor Carvalho te apresentou ao mundo de Kanto. Em suas novas versões para o 3DS, a Game Freak bem que tenta, como sempre, apresentar uma história com personagens que em segundos se tornam amigos do “garoto novo da cidade”. Sempre foi assim. No entanto, é com os pokémons que você realmente se importa.

 

Em Black & White, o objetivo foi tentar resgatar o espírito de desbravar o desconhecido de Red & Blue. Aquela emoção de encontrar seres novos na grama alta, na montanha, no rio. Comigo funcionou. Agora, jogando a versão Y, isso pouco importou. Logo no meu primeiro encontro com um pokémon selvagem, um Pidgey saltou na minha direção. Duas batalhas depois, um Caterpie. E então um Zigzagoon, Weedle, até mesmo um Pikachu (que desta vez de fato fala seu nome, como no desenho). No lugar de sensação de explorar o desconhecido, veio aquele sentimento de reencontrar amigos que você não via há alguns anos.

Por anos imaginei como seria um game de Pokémon num ambiente 3D. O que eu imaginava ainda não aconteceu – e talvez nunca aconteça. Mesmo assim, é impressionante a forma como o mundo tem evoluído, com cidades grandes e habitáveis, nas quais você consegue enxergar veracidade, não apenas prédios, um Centro Pokémon e um ginásio.

Ainda há um grande caminho para me tornar um Mestre Pokémon em X & Y. Porém desde já é possível afirmar que, apesar de nunca mudar, a fórmula de Pokémon segue forte como nunca, seja para os que acompanham a série desde a primeira geração ou para os novos fãs que devem estar experimentando o jogo pela primeira vez num 2DS. O único ponto negativo na realidade não atrapalha em nada o jogo: o “Pokémobral” ao qual somos obrigados a acompanhar no início de todos os jogos da série. Após 15 anos eu acho que aprendi a enfraquecer um inimigo selvagem e jogar uma Pokébola.

Ah, e sim, a magia segue viva.

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