Filmes

Published on agosto 7th, 2015 | by Carol Lima

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Quarteto… Fantástico?

Lembram-se de todo o ódio que X-Men Primeira Classe recebeu ao lançamento de seu primeiro trailer? Na época li diversos comentários enraivecidos para com o filme, e simplesmente não entendia toda aquela energia negativa. Dei um voto de confiança logo de cara, porque a história seria muito mais focada na amizade entre Xavier e Magneto (fora que contava com um bom elenco e um diretor competente, Matthew Vaughn), o que sempre quis ver nos filmes, mesmo que os componentes dos X-Men não fossem os originais da HQ a qual carrega o mesmo título (e tivesse inúmeras divergências para com a antiga trilogia também, mas isso é assunto para outro dia). E por mais que Primeira Classe tivesse esses poréns, o filme foi um baita sucesso, tanto de bilheteria quanto crítica, e saí muitíssimo feliz da sessão de cinema.

E então, anos depois, seria lançado o primeiro trailer do reboot do Quarteto Fantástico, que também recebeu muito ódio da internet. Confiei em meus instintos (novamente), vendo que, mesmo com algumas notáveis alterações, o filme ainda teria uma pegada das HQs (do Universo Ultimate, especificamente), um clima mais pesado/sério, e também contaria com um jovem elenco notável. Com o tempo foram divulgadas especulações em relação ao diretor Josh Trank (que estaria irritado com seu trabalho), sobre um possível cancelamento e até mesmo uma troca de diretores de última hora. Depois de tudo isso, teria de pensar que o resultado final daria errado, mas persisti e cheguei a ficar mais animada com este filme do que com Homem-Formiga, para se ter uma ideia. Mas nem sempre a história se repete.

Eis que o reboot estreou, no dia 6 de Agosto de 2015, exatos dez anos após o primeiro filme da franquia dirigida por Tim Story. E mesmo tendo passado tanto tempo, os dois filmes ainda estão frescos na memória, seja por sua repetição na televisão ou pela marca que deixou no início dos anos 2000 (que foi o começo da era de filmes de super-heróis), mesmo que sejam bem fracos e bobos demais (e por não terem um vilão bem representado). E acredite, serão mencionados nesta crítica (perdoem-me, mas é necessário). Então, vamos ao enredo.

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Reed Richards é um menino prodígio. Ainda criança, contando com o apoio de Ben Grimm, foi capaz de criar um aparelho que poderia teleportar um objeto (no caso, um carrinho de brinquedo) para outro lugar. Embora Ben tenha ajudado apenas no fornecimento de energia, este fora creditado por Reed, e os dois se tornaram grandes amigos. Durante uma feira de ciências, a dupla mostra a um grupo de professores a mesma experiência, um pouco aperfeiçoada. Embora tenha sido um sucesso, o grupo não acredita na veracidade científica do projeto e desqualifica o trabalho de Reed. Pouco depois ambos são abordados por Franklin Storm e sua filha adotiva, Sue, que reconhecem o teor do trabalho e dizem que Reed achou a reposta que tanto queriam para uma viagem interdimensional. Chamado para trabalhar no Edifício Baxter, ele agora compõe uma equipe dedicada para este único propósito, e vê ali a chance de receber reconhecimento por seu esforço.

Com a ajuda de Sue, Johnny Storm e Victor Von Doom, o projeto, agora capaz de levar pessoas para outra dimensão, é finalmente terminado. Todavia, a equipe de pesquisa não quer que os cientistas participem da viagem, e sugere que militares seriam mais apropriados. Após uma noite de bebedeira (nada muito exagerado), Reed e Victor decidem viajar por conta própria, sem a supervisão de ninguém, e Johnny aceita a proposta. Como dito anteriormente, Reed credita Ben pelo funcionamento da experiência, e o chama para a viagem interdimensional. Ela funciona, mas algo dá errado nessa outra dimensão (por conta de Victor), e Sue (a única pessoa que viu o que eles estavam fazendo, mas tarde demais) tenta estabilizar a viagem de volta, e recebe parte da energia que afetou os outros três membros, e que consumiu Von Doom. Agora supervisionados pelo exército, devido às suas novas capacidades extraordinárias, eles treinam seus poderes, para depois serem usados como arma. Todavia, não deixarão que isso aconteça por muito tempo, enquanto terão de impedir uma ameaça ao nosso mundo.

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No mais, seria muito spoiler. Logo, praticamente tudo o que fora visto nos trailers (embora algumas cenas e falas não tenham aparecido no produto final) está aqui. Não há mistério algum quanto ao enredo, mas ele tem diversos furos e resoluções apressadas que atrapalham na imersão daquele universo. Afinal, como que quatro jovens simplesmente fazem uma viagem interdimensional, sem qualquer supervisão (ainda mais de um projeto desta magnitude) e sem soar qualquer alarme de alerta ou algo do tipo? E Sue, que simplesmente ganha os poderes porque estava perto das cápsulas da viagem na hora de seu retorno? E Victor, que tem a icônica “máscara metálica” porque sua roupa da viagem fora absorvida por seu corpo por intermédio da energia que a dimensão emanava? São esses detalhes que simplesmente incomodam, fora os trocadilhos relacionados aos futuros codinomes dos personagens (o que não acontece tão em demasia quanto ocorreu no filme de 2005). O ritmo é lento e inconstante, e perto do final há uma abrupta transição de filme sci-fi para filme de super-heróis, por conta do óbvio (fraco) embate com o Dr. Destino.

O Quarteto em si se saiu bem. Miles Teller entrega um Reed Richards convincente; Michael B. Jordan (que fora tão odiado), um jovem inteligente-mas-rebelde, e a questão da mudança de etnia de Johnny Storm sequer passa por sua cabeça durante o filme; Kate Mara, uma inteligente e convicta Sue Storm, algo que ansiava bastante; Jamie Bell, um Ben Grimm mais contido e, posteriormente, atormentado. Todavia, a dinâmica entre eles parece forçada, e não temos uma visão de real química entre o grupo, que os faça um dia o Quarteto que conhecemos (algo que não ocorreu com o filme de 2005). E Toby Kebbell, o Victor Von Doom / Dr. Destino… Bem, ele não se destaca (funciona mais como o personagem irritante que você sabe que se tornará o vilão). Suas motivações são fracas: ele bate o olho no projeto de Reed e já cria ciúmes dele (ainda mais quando começa a achar que há algo acontecendo entre ele e Sue), o que faz desse Victor uma versão tão rasa quanto a vista em 2005.

Sobre os efeitos, o Coisa em CGI me pareceu mais correto e condizente com o que imaginava de uma versão do personagem nas telonas; os poderes elásticos de Reed não sofreram tantas mudanças, e ainda não parecem muito bem feitos; desta vez Sue fica completamente invisível, e agora pode projetar campos de força para voar; o Tocha Humana ficou muito bem detalhado e bem feito. De novo, o Dr. Destino: o visual do personagem é muito fraco e nada ameaçador, parecendo uma versão bem capenga de um dos maiores vilões do Universo Marvel, e isso é triste (e sua gama de poderes inclui telecinese e campo de força). Já que o visual fora mencionado, o contra iria também para o uniforme utilizado pelo grupo, bem padronizado e que não remete em nada o clássico ou o Ultimate.

No geral, é muito difícil recomendar o filme (por mais que tenha prós, mas os contras simplesmente incomodam), porque ele serve muito mais como um prólogo do que uma verdadeira história do Quarteto (a sensação que fica é a de que você assistiu a um longo piloto de uma série). E tanto fãs das HQs quanto consumidores de cinema em geral podem ficar um pouco saturados pela monotonia que o filme carrega em diversas partes (afinal, até mesmo depois de ganharem os poderes, os vemos bem pouco). Mas não o considero um lixo, apenas um bom conceito que fora mal desenvolvido.

Nota: 5/10

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Estudante, futura Jornalista e Marvete desde a infância, mas passando por desilusões com a editora atualmente. Tem o hábito de curtir coisas independentes, variando de música até games. Não dispensa uma boa ficção-científica.



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