Nas Catacumbas da Torre

Published on julho 11th, 2013 | by Makson Lima

Splatterhouse e a casa do Satanás

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É isso. A partir desta semana, você, frequentador assíduo e demente da Torre dos Gurus irá se deparar com um texto (não tão) breve sobre temas que ainda não estipulei ao certo. O ser grotesco que perambula pelos corredores espiralados desta edificação fálica ordenou tal feito – ou acha mesmo que eu me prontificaria de puro coração a dedilhar linhas e mais linhas sem retorno concreto? Pois é. Sendo o filho bastardo que é, este texto ainda não tem tema pré-definido e muito menos um nome – a menos que você considere a sequência de palavras supracitada, mas daí é uma outra história (gostou do Satanás? Imaginei).

Resolvi começar pela parte mais fácil. Gosto muito de videogames e muito de coisas (filmes, jogos, livros, músicas) de terror, então resolvi chafurdar as gavetas da minha lembrança com tratamento hipnótico (felizmente, nenhuma lembrança envolvendo abuso sexual veio à tona) para encontrar minha primeira experiência real interativa de terror. Sim, eu era um garoto de sete anos e já tinha como ídolos os slashers de babacas oitentistas – Freddy, Jason, Michael (Leatherface só veio depois, quando atingi uma certa maturidade na genitália). E sim, também já havia experimentado os terríveis Halloween de Atari e Friday the 13th e Nightmare on Elm Street de NES. Cacete, eu queria jogar com os assassinos, não com as vítimas! Sendo assim, considero meu primeiro envolvimento genuíno com o terror nos videogames (e assim o começo de um longo matrimônio, que certamente se trata daquilo que de mais duradouro já tive na vida) Splatterhouse 2, um dos precursores do grotesco trash nas diversões eletrônicas.

splatterhouse2

Foi no auge do Sonic 2, Kid Chamaleon e Deccap Attack (sou apaixonado por este, mais do que deveria) que Rick e seus inimigos bizarros entraram na minha vida. Nunca vou esquecer aquele aniversário de sete anos e aquela fita preta com o nome em vermelho sangue escorrido, além da ostentação de um sujeito fazendo uso daquela que só poderia ser a máscara de hóquei do Jason, associação imediata a qualquer fã de Sexta-Feira 13.

Não importa que tudo isso não passasse de um delírio de um mancebo que acabara de sair da fase anal (é claro que não era o Jason e muito menos sua máscara de hóquei), o que importa é que eu estava controlando o gigante marombeiro e estava descendo o cacete – leia-se: paulada, murro, voadora, tesourada – em um monte de monstro feio. Não me importava tratar-se do segundo da série, nem da dificuldade bastante acentuada ou de uma história que eu não entendia muito bem (mas o dicionário sempre ali ao lado, incentivo de um amigo): o Jason (porque eu só o chamava assim, claro) percorria florestas, prédios em ruínas, pântanos, mansões e elevadores mal-assombrados, enfrentava bebês esfolados enforcados, bolsões de sangue purulentos perambulantes, piranhas sedentas, cérebros voadores, estômagos com boca, e tudo aquilo era o máximo. E as músicas me fascinavam muito mais do que deveriam. Perguntei a minha mãe se ela não me considerava um garoto esquisito e ela só deu risada. Acho que sim. E quem não foi? E quem não é?

Splatterhouse vem de uma época em que seus criadores usavam de pseudônimos para denominação, tornando muito difícil a busca de seu paradeiro nos dias de hoje. Mas você não precisa conhecer o Splatterhouse moderno, pois se trata de lixo ocidentalizado no estilo fast-food de ser. Repugnante. Ignore. O que você precisa saber é que Rick sempre está atrás de sua namorada, Jennifer, que por algum motivo sempre é sequestrada pelo demônio (daí o satanás do título) mais horrível que há, e cabe a ele, em parceria com a tal máscara – The Terror Mask – que concede ao sujeito uma força sobre humana, resgatá-la. É filme B do mais alto escalão.

Felizmente a terceira parte manteve o alto nível, apesar de ter abandonado a linearidade dos movimentos, trazendo um estilo mais parecido com Double Dragon e Final Fight, mas mantendo todas as características marcantes dos anteriores. O original, lançado para arcade e PC Engine, veja você, só foi debulhado por este que vos escreve anos e anos depois, quando a era dos emuladores dominaram nossas vidas (mas fiz a coisa certa ao comprar o jogo no Virtual Console do Wii, saiba disso). E este foi o começo de um relacionamento sério com o grotesco nos videogames, que se tornou um verdadeiro patrimônio em minha existência que e só se intensifica a cada dia. Sim, sou um sujeito estranho, eu sei. Podem me julgar. Não dou a mínima. E não sejam bem vindos ao Calabouço da Torre. Este lugar é fétido,  inóspito e eu adoro.

 

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About the Author

Além de detestar falar de si mesmo na terceira pessoa, tem certa obsessão pelo fundo do poço cinematográfico. Séries como Silent Hill, Resident Evil, Shin Megami Tensei e Final Fantasy trazem razão para sua existência e acha absurda a internet do "amo/odeio". Recluso, introspectivo, com um pé na sociopatia e com saúde debilitada, não acredita no ser humano como espécie cosmopolita.



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