Brinquedos

Published on dezembro 16th, 2015 | by Leitor / Ouvinte

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Star Wars: O Despertar da Força [de fazer dinheiro]

Por Nelson Alves Jr., jornalista, apresentador do Inside Xbox e fã de Star Wars

George Lucas pode ser tudo, menos idiota. Quando o sujeito criou o primeiro filme da saga, em 1977, ele sabia bem que tinha uma mina inesgotável de dinheiro nas mãos. Talvez não tivesse a exata dimensão, mas ele podia imaginar que o apelo mercadológico daqueles personagens poderia render bem mais que a bilheteria.

Pois bem. Em 2012, segundo estimativa do The Hollywood Reporter, a marca Star Wars já havia faturado US$ 20 bilhões somente com venda de quinquilharia. Se o George Lucas não é idiota, imagine então a Disney, que comprou naquele mesmo ano a LucasFilm por US$ 4 bilhões.

Aqui vale um pequeno adendo. A Disney, caso você viva numa bolha submersa em Ganímedes, é a rainha do merchan. É o casamento perfeito. De um lado Star Wars, a marca mais ~vendável~ que o cinema já criou, de outro a Disney, com a sua capacidade inigualável de extrair o máximo de seus produtos. Tudo o que esses caras tocam vira ouro. E acredite, eles tocam em tudo.

Ver pra crer

Disse esse monte de groselha aí pra chegar na parte que [me] interessa. Desde que rolou essa fusão Disney/LucasFilm, imaginei como seriam tratados os licenciamentos de Star Wars dentro dos parques temáticos e tal. Pra quem não sabe, sou meio que viciado em Disney e um tantinho mais viciado em Star Wars, então é tipo a fome com a vontade de comer.

Cheguei a viajar apenas para ir ao Hollywood Studios, depois que o Star Tours foi reformado e se tornou o simulador mais incrível que existe no planeta. E justamente por conta desse pezinho da saga dentro de uma área Disney, já existiam alguns merchandise dos filmes à venda.

Depois da fusão das marcas, a Disney fez o sonhado anúncio de que Star Wars ganharia áreas e mais áreas dentro de seus parques: tanto na Disneyland, na Califórnia, quanto no próprio Hollywood Studios, na Flórida.

Vale ressaltar que as mudanças estão rolando enquanto você lê esse post. O Jedi Training Academy, por exemplo, foi reformulado e se tornou o Trials of the Temple, com inclusão de personagens vindos da animação Rebels.

E a tal expansão já começou. Como bom viciado, programei minhas férias deste ano para coincidir com a abertura da nova área chamada Star Wars Launch Bay. Em suma, trata-se de um espaço que celebra a saga da maneira mais improvável que um fã poderia sonhar. Incontáveis materiais usados nas filmagens, tanto dos episódios passados quanto de O Despertar da Força, formam uma galeria permanente, juntamente de cenários icônicos (como o balcão da cantina de Mos Eisley) e, o que mais me chamou a atenção, um espaço dedicado a “ensinar” Star Wars aos que desconhecem a obra. Há duas salas de cinema exibindo dois curtas distintos: o primeiro, chamado “The Path of Jedi”, resume em pouco menos de dez minutos os principais conceitos dos filmes e encerra, obviamente, dando o gancho para o próximo arco, que começa com O Despertar da Força; o segundo exibe depoimentos dos novos atores, mesclados com falas de Kathleen Kennedy (CEO da LucasFilm) e de J.J. Abrams, que dirige o novo filme.

Aí, quando as pessoas estão em ponto de bala, desemboca-se numa loja com INFINITOS itens incríveis — alguns deles inacessíveis para nós, mortais, como um busto em tamanho real de Darth Vader que custa mais dólares do que eu consigo contar.

E se a ideia é criar pequenos fãs consumidores, nada melhor do que criar uma loja imensa, com itens exclusivos que só podem ser encontrados lá. Daí nasceu a Watto’s Grotto. Interessado num par de abajures com detalhes em forma de sabre de luz? Melhor, que tal um guarda-chuva em formato de sabre (e que acende!)? Prefere roupas? Tudo bem, aqui tem de todos os tipos e formatos. De saias e sapatos femininos, a jaquetas e camisas sociais masculinas.

Fica difícil mesmo pra quem só pretende ir ao parque sem compromisso, já que até o balde de pipoca é temático. Pode escolher: uma Tie-Fighter (foi a que trouxe pra casa), um Han-Solo na carbonite ou o capacete do Darth Vader. Pra acompanhar, uma bebida servida num copo em formato do robozinho BB-8. Traduzindo: mesmo que você não seja chegado na coisa, fica quase impossível passar incólume.

Mas não se iluda. A enxurrada de merchandise não se limita ao Hollywood Studios. Na verdade você encontra itens licenciados de Star Wars em absolutamente todos os lugares. De farmácia a posto de gasolina, encontram-se objetos dos mais variados. Cueca? Check. Utensílios de cozinha? Check. Pro banheiro também? Check. Acessórios de carro? Pro quarto? Pra sala? Check, check e check.

Se no Brasil parece ter muita coisa, multiplique isso por muitas e muitas vezes pra entender o que se passa nos EUA.

Pense em algo. Existe uma versão disso que você pensou licenciada da série. A ponto que, por brincadeira, passei a fotografar com o celular tudo o que encontrava pela frente com “Star Wars” estampado na embalagem. O resultado está na galeria aqui na página.

Calma que ainda há os brinquedos. Numa quantidade tão ridiculamente absurda, que durante a visita a Toys ‘R Us me deparei com [muito provavelmente] a maior área sobre o assunto dentro de uma loja do gênero. Com o dólar a R$ 4 dá pra imaginar a ~sofrência~ de ver tudo aquilo e se fingir de morto.

E isso tudo apenas para esquentar os motores, porque ainda há uma longa jornada de filmes por vir. Considerando o modus operandi da Disney, só existe uma pergunta a ser feita em se tratando de licenciamento de Star Wars: por que não?

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