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Published on fevereiro 10th, 2016 | by Mateus Ornellas

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Tralhas do Bardo 01 – O RPG nos tempos da vida adulta

Acho que posso falar com certa tranquilidade que sou “macaco velho” do RPG. Não cheguei à pertencer à mítica “Geração Xerox”, dos tempos nos quais o acesso aos livros era uma raridade e as fotocópias corriam pelas mãos dos jogadores por aí. Como fui de cidade pequena, tive minha (bela) cota desses pequenos tesouros clonados, já que o acesso era bastante difícil numa era pré-internet, mas a verdade é que eu sou herdeiro desses “pioneiros” do hobby no país.

Desde minha primeira sessão de jogo, lá se vão mais de quinze anos. E eu não posso reclamar que joguei: tive épocas com várias mesas semanais (realizadas com uma frequência quase religiosa); períodos mais negociados, quando a mídia atacava o hobby por conta do famigerado caso de Ouro Preto, férias passadas praticamente inteiras rolando dados e até uma épica maratona de quase 18h de exploração de masmorras durante o lançamento da 3ª edição de D&D.

Isso mudou de uns tempos pra cá. E, antes que você pense que esse é um texto para chorar as pitangas porque não consigo mais jogar, pode ficar tranquilo. Realmente, eu jogo RPG hoje numa frequência muito menor. Isso tem relação com vários fatores: diminuição do tempo livre por conta da profissão (afinal de contas, esses suplementos não vão se comprar sozinhos, certo?) e das tarefas domésticas, outros interesses que dividem o meu tempo livre e dificuldade para conciliar as agendas com os outros amigos – que também tem seus afazeres e rotinas.

O que fazer, então? Bom, eu pensei e pesquisei em alternativas para me ajudar a continuar rolando meus singelos dadinhos de formatos bizarros vez ou outra e gostaria de compartilhar algumas dessas ideias com vocês:

  • Reúna-se de outras maneiras: caso sua dificuldade principal seja justamente conseguir que todo mundo esteja junto ao mesmo tempo, experimente formas alternativas de juntar a galera. Com a tecnologia, você pode fazer sessões utilizando comunicadores como o Skype ou o Google Hangout para que os jogadores possam participar de onde estiverem – é dessa forma que eu consigo manter sessões do meu mais antigo grupo de jogo, com amigos de outros estados e até outros países. Existem até aplicativos específicos para facilitar isso, como os excelentes Fantasy Grounds e Roll20 – esse último é recomendadíssimo por mim; possui uma ótima opção gratuita e é utilizado em minhas campanhas virtuais.
  • Comunicação assincrônica: Repita comigo, “assincrônica”. É um palavrão mesmo, mas o significado é simples – comunicação em diferentes tempos. Se tempo realmente estiver sendo um fator crítico para sua organização, você pode utilizar outros sistemas que não exijam que todos os jogadores estejam reunidos ao mesmo tempo. Meu preferido é o RPOL, que permite a organização de campanhas de qualquer tipo e possui diversas ferramentas para auxiliar como roladores de dados, geradores de cartas e outras coisas. Fóruns, grupos no Facebook… Diabos, você pode jogar dessa forma até pelo Whatsapp!
  • Sessões mais curtas: Às vezes, um dos problemas é que as pessoas não conseguem passar tanto tempo em uma sessão de jogo. Isso pode ser minimizado com organização – estimule a pontualidade na chegada, minimize o off-topic e tente utilizar outros métodos para eliminar as partes “burocráticas” – que tal deixar as atualizações e cálculos das fichas de jogo para serem enviadas por e-mail? Ah, uma informação importante: nunca, NUNCA, lime nada que diminua a diversão. Se o off-topic durante a sessão for algo que torne a reunião entre vocês mais divertidas, querer limitá-la só vai tornar a experiência mais pobre. Converse com todos os participantes para descobrir quais atitudes podem aumentar a diversão, e não aproximar o RPG de, sei lá, uma fila de banco.
  • Aventuras prontas: Quando eu era mais novo, tinha certa repulsa por aventuras prontas. Eu queria exercitar minha imaginação, ora bolas! Eu achava que elas tiravam minha liberdade criativa como mestre. Hoje, elas são minhas maiores aliadas. A preparação de uma sessão toma bastante tempo e boas aventuras prontas simplificam minha vida quando serei eu a narrar. Eu altero as coisas que eu não gosto ou insiro novos elementos que me interessam e voilá – temos um jogo! O mesmo conselho anterior vale aqui: se preparar a aventura é algo que o diverte muito, não abra mão. Mas existem ótimas aventuras prontas para serem usadas e que garantem horas de diversão, sem falar nos clássicos.

Não tenho ilusões de esmiuçar o assunto nesse texto – cada um dos tópicos que eu citei vale um olhar aprofundado. Mas minha intenção é estimular você que, como eu, ainda sente aquela mesma coisa boa da primeira sessão de jogo a continuar jogando. Além disso, tenho um recado importante também: não se culpe. Talvez você continue adorando RPG, mas prefira investir seu tempo livre na leitura de quadrinhos ou com videogames. Não se sinta mal. Nossas prioridades mudam e está tudo bem se esse é for o caso. Mantenha o RPG na sua vida se ele continuar servindo ao seu propósito original: ser divertido!

Essa foi minha primeira contribuição ao TdG sobre esse assunto. Espero voltar em breve e gostaria de convidar você a me mandar uma mensagem (através do site ou no Twitter, se quiser: @mateus_ornellas) pra me contar sobre o que você joga e quais assuntos você gostaria de ver por aqui, ok? Então, até a próxima e boas rolagens!

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About the Author

Jogador de RPG, escrevinhador de causos e consumidor de tranqueiras nas horas vagas. Jóquei de computador profissional. A verdade está lá fora (ou não). Roteirista da HQ Elos (www.eloshq.com.br).



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