Nas Catacumbas da Torre

Published on setembro 23rd, 2013 | by Makson Lima

Vampiros a dar com pau

Caso você tenha crescido com um certo fascínio por vampiros – e que fatalmente teve início com Entrevista com o Vampiro, não negue – o ódio latente por quase tudo criado recentemente acerca do mito de certo gera convulsões e ojeriza quase que uma geração inteira de leitores ávidos por literatura barata e de má qualidade – evidentemente que me refiro à Crepúsculo, meias palavras não me cabem.

Seja com o RPG Vampiro A Máscara (ou sua subsequente versão digital exclusivamente para PCs, o excepecional Bloodlines), ou com filmes da época áurea da Hammer, quase todos protagonizados pelo Christopher Lee mais inspirado possível, ou pelo início de tudo, com Bela Lugosi criando tudo aquilo que veríamos permear o mero pensamento quanto a lenda. Drácula de Bram Stoker também é um apontamente quase óbvio. Ou com Castlevania.

Este texto não tem intuito de criticar de forma construtiva ou destrutiva alguma obra em questão (apesar de já tê-lo feito. Dane-se), mas sim enaltecer o seguinte: hoje é aniversário de Michiru Yamane, a compositora por trás de uma das minhas séries de videogame favoritas, Castlevania. Sim, tenho nestas linhas nada mais que um pretexto para propagar de alguma maneira uma das mais talentosas compositoras da indústria.

Sei que muita gente só experimentou mesmo Lords of Shadow (que não teve participação de Yamane), e entendo tal heresia, além de respeitá-la também, afinal, muita gente começou a jogar videogame de uns anos para cá. Mas também sei da quantidade absurda de fãs de Symphony of the Night, que tem neste um dos mais icônicos jogos da geração 32-bits e, tal qual este mero vassalo vampiresco, um de seus jogos preferidos.

Não saberia dizer qual é a preferida. Entre o tom mais melancólico encontrado em Lament of Innocence e a variedade absurda alcançada com o próprio SotN, são casos raros de reconhecer a origem com um só riff de guitarra, um só acorde ou toque de cravo – coisa que não encontramos no tom épico ultra genérico de Lords of Shadow, por exemplo. Poucos podem se gabar disto, a citar outras lendas como Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda e Motoi Sakuraba. Poucos.

Lords of Shadow 2 só assombrará nossas noites daqui muitos meses (culpa da versão HD da porcaria irremediável Mirror of Fate) para por fim definitivo ao trágico conto do primeiro dos Belmont, Gabriel, então venho aqui apontar outra obra vampirescasque merece a atenção daqueles que conhecem e respeitam o mito. Poderia citar True Blood, mas creio ser evidente demais. Você provavelmente já conhece e, do contrário, recomendo imensamente. Há muito de novo por lá para merecer ostentação, além do gore acima da média, dos vilões insanos e incríveis (Russell, amor eterno) e, claro, Jessica Hamby.

Dentre muitas porcarias adolescentes que lotaram os cinemas nos últimos anos (a citar The Moth Diaries, mesmo que com Lily Cole), há uma pequena pedra preciosa de um vermelho-sangue intenso que merece destaque. Dirigida pela abastada Xan Cassavetes, filha do genial cineasta John Cassavetes, Kiss of the Damned é uma clássica história de vampiros com roupagem moderna. Há o romance, o sexual e carnal, mas há também a intriga, os anseios primitivos e o grotesco, todos elementos essenciais, que se desenvolvem num cenário moderno, porém alheio às nossas condições contemporâneas.

A trama não tem absolutamente nada de novo, e nem faz a menor questão de seguir tal caminho: é o rapaz que se apaixona pela bela ruiva com aparência frágil e desamparada, e todas as desgraças advindas do amor “proibido” entre os dois. O que faz de Kiss of the Damned um filme especial é a maneira como tudo é conduzido, sem meias palavras, sem panos quentes, com nuances o bastante para ser possível um aprofundamento em cada personagem e tramas que os envolvem. Destaco a maravilhosa Joséphine de La Baume por sua atuação que mescla algo nobre e antiquado a elementos brutais, possuídos; e sua irmã, Mimi, papel de Roxane Mesquida, justamente sua antítese e também a tão afamada figura da vampiro jovem, sexual e popular, com único intuito de se divertir e barbarizar a vida de suas vítimas incautas.

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About the Author

Além de detestar falar de si mesmo na terceira pessoa, tem certa obsessão pelo fundo do poço cinematográfico. Séries como Silent Hill, Resident Evil, Shin Megami Tensei e Final Fantasy trazem razão para sua existência e acha absurda a internet do "amo/odeio". Recluso, introspectivo, com um pé na sociopatia e com saúde debilitada, não acredita no ser humano como espécie cosmopolita.



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