Nas Catacumbas da Torre

Published on agosto 26th, 2013 | by Makson Lima

Viúvos de Entranhas

No quesito videogame, não têm sido anos fáceis para os fãs do gênero terror. Com a tão aclamada e um dia afamada (e difamada) série Silent Hill rastejando sofrivelmente para se manter viva e com Resident Evil tendo crises de identidade esporádicas (mas com consultas com hora marcada em portáteis da vida), tem sido das tarefas mais árduas encontrar com o que se divertir de uns tempos para cá. Evidentemente que novas surpresas surgem no mainstream – e aqui, só louros para Dead Space – mas a fartura de antes – pense: Siren, Fatal Frame, Haunting Ground, Kuon, Echo Nights Beyond, Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth, Rule of Rose, Dementium, Moon, Manhunt só na geração passada – está longe de ser alcançada ultimamente.

E parece que sequer há tentativa para tal.

Apesar do descaso das grandes softhouses da indústria para com o horror em si, desenvolvedores menores e mais autorais surgem de tempos em tempos para mostrar a relevância do gênero. E o sucesso de suas obras, prova contundente do interesse do público. A trilogia Penumbra angariou fundos e atenção o suficiente para que sua criadora, a sueca Frictional Games, pudesse nos trazer aquele que, dada minha concepção do que é fundamental para se criar horror em videogame, se tornou um novo patamar a ser seguido: Amnesia: The Dark Descent.

Além deste já clássico moderno, há outra obra-prima do escárnio: Lone Survivor. Jogo de um homem só, Jasper Byrne, Lone Survivor acompanha o apocalipse zumbi de uma perspectiva absurdamente única, provando possível assustar, criar tensão e medo com uma perspectiva 2D, num mundo de pixels.

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E certamente um dos meus jogos favoritos em muito, muito tempo: The Cat Lady. Quanto a este, prefiro me limitar a simplesmente citá-lo, já que, de certo, abordarei a obra-prima de Remigiusz Michalski por estar mesmas linhas muitíssimo em breve.

Há muita coisa independente sendo feita para salvar o gênero do esquecimento, e destaco mais alguns: Slender: The Arrival, o notório jogo nascido de uma lenda urbana de fóruns de internet; Anna, point’n click de ambientação, com uma rica história folclórica de bruxas italianas; Lucius, obra bastante ambiciosa, trazendo como protagonista o filho do próprio Lucifer; Cry of Fear, mod do primeiro Half-Life, com história extremamente deprimente, em cenários urbanos e criados especialmente para assustar. E a lista seguiria por extensões tantas.

Pode parecer haver uma contradição a esta altura das coisas, já que, logo nos primeiros parágrafos, condenei a atual realidade do gênero terror nos videogames. Mas tal não veio a toa: há mesmo um enorme paradoxo entre o que o público espera e o que os desenvolvedores (os graúdos, milionários) estão entregando. Não faz sentido haver uma crescente cena de terror indie em plena ebulição pelas periferias, onde poucos sabem de sua existência e menos ainda conseguem usufruir de suas maravilhas, enquanto que acompanhamos cópias de cópias de cópias chegarem de forma sem fim às prateleiras das lojas.

E meu intuito na coluna desta semana é chamar a atenção para dois jogos que prometem revolucionar o gênero e que estão às margens de seus lançamentos. O primeiro, que chega ao Steam já na semana que vem, dia 4, é Outlast. Sendo o primeiro projeto de veteranos que um dia trabalharam em empresas como Ubisoft, Eletronic Arts e Naughty Dog, é bastante claro, a meu ver, a tentativa de suprir um público que clama por horror de limitância e não o recebe. Aqui cabe um parênteses para trazer à tona a importância de The Last of Us para o gênero: sendo um jogo tão grande, atingindo uma audiência tão vasta, de uma desenvolvedora tão renomada, é nada menos que incrível o esforço real de manter vivo o stealth de terror. Voltando a Outlast, a trama é ambientada num manicômio abandonado e o vídeo abaixo vai contar muito melhor do que palavras descreveriam os horrores que aguardam o jogador. Procurei me manter alheio de maiores informações, a fim de aproveitar o máximo possível, de forma imaculada.

Outro que dá as caras em setembro (10) é a aguardadíssima continuação de Amnesia, A Machine For Pigs. Serei sincero: mesmo não gostando muito da mudança brusca de ambientação – de um castelo medieval na Idade Média para fábricas e complexos em plena Revolução Industrial – confio muito no time de desenvolvimento responsável. Amnesia continua como um dos meus preferidos, sendo assim, as expectativas não poderiam estar mais exaltadas. Talvez esteja aí seu (ou meu) ponto fraco, mas não há como conter a ansiedade, já que mal posso esperar para perder noites de sono na companhia de meu único e fiel aliado: a lanterna de querosene.

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About the Author

Além de detestar falar de si mesmo na terceira pessoa, tem certa obsessão pelo fundo do poço cinematográfico. Séries como Silent Hill, Resident Evil, Shin Megami Tensei e Final Fantasy trazem razão para sua existência e acha absurda a internet do "amo/odeio". Recluso, introspectivo, com um pé na sociopatia e com saúde debilitada, não acredita no ser humano como espécie cosmopolita.



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