Séries

Published on dezembro 12th, 2016 | by Bernão

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Westworld, obrigatório para qualquer cowboy

Domingo, 4 de Dezembro de 2016, uma noite difícil, muito difícil. Estava eu aguardando em frente à TV o último episódio de Westworld na HBO, que começaria a meia noite e acabaria a uma e meia da madrugada, mas era o tipo de coisa que não tinha como deixar para depois. E minha intuição estava certa, que final espetacular!

Se é que podemos chamar isso de intuição, pois quando temos nomes como J. J. Abrams, J. Nolan, Anthony Hopkins, Evan Rachel Wood e até Rodrigo Santoro, juntos da sigla HBO e muitos milhões de dólares, fica muito difícil não apostar na qualidade da série.

Poderia aqui gastar muitos caracteres para falar de muita coisa da série, desde a trilha sonora até o figurino, mas o resumo de tudo seria: é de ótimo a excelente! Pode parecer exagero, coisa de fã sem crítica etc, mas não é o caso, inclusive, quem me conhece sabe que eu sou o primeiro a meter o pau em tudo e qualquer coisa feita nas coxas.

Entretanto, tem um assunto que não posso deixar passar: o tema. Estamos diante de algo além do habitual, pois se engana quem pensa que estamos falando de um filme western, com uma pegada de Jurassic Park, é muito mais. É justamente no decorrer da série que você percebe que existe uma clara metáfora, diria até uma metalinguagem, entre o que acontece com os anfitriões, e o que acontece com eu e você. Isso ocorre porque as perguntas que vão se construindo no decorrer de cada episódio passam por: Qual a diferença entre os anfitriões e os hóspedes? Como definimos a consciência? Será que nós também não temos uma programação? Até onde somos de fato livres? Qual é a importância do sofrimento das nossas vidas? É possível viver sem ele? E se o homem criasse outro ser consciente, o que seria de nós: deuses ou monstros?

E mais importante do que essas questões, que são apresentadas de maneira delicada, o tratamento que recebem é na medida certa, de forma sutil, porém, direta e limpa, pois você aa experimenta no decorrer do desenvolvimento das personagens. É impossível não simpatizar com Dolores (Evan), não torcer por Maeve (Thandie Newton), não ficar curioso com Bernard (Jeffrey Wright), não sentir raiva do Anfitrião de Preto (Ed Harris) e não se admirar pelo Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins). E todos esses sentimentos vão se misturando conforme a trama se desenrola e uma verdade inconveniente se apresenta: todos vivem uma mentira! Uma verdade cruel e real para hóspedes e anfitriões.

Devemos elogiar ainda a sequência de cenas e como elas nos são apresentadas, pois nós, espectadores, somos colocados a viver o devaneio insano e robótico dos anfitriões: memórias tidas como verdades, alucinações visuais e auditivas, transpostas pelo tempo aberto inconsciente e indesejável. Efeito esse que se desvela no último episódio, provocando um clímax dramático profundo e inesquecível.

Já existe o compromisso para uma segunda temporada, que provavelmente ocorrerá em 2018, espero que seja em um parque oriental (conforme vislumbrado no último episódio), porque continuar de onde parou seria um risco sério demais a assumir.

Nota: 10/10

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About the Author

Psicólogo, gosta de RPGs, HQs, Livros de fantasia, filmes, fã de Boas Histórias em Geral, procura ver nisso tudo algo que faça um sentido além da mera diversão. Tarólogo e Piloto de helicóptero nas horas vagas. Odeia Robôs Gigantes acima de tudo !



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