Nas Catacumbas da Torre

Published on julho 15th, 2013 | by Makson Lima

Zumbis a dar com pau

Inevitavelmente, o tema “zumbi” – ou mortos-vivos, mordedores, dissidentes, mortualhas e até dentuços, veja você – seria abordado por aqui. Eu já sabia e você também. Não porque tais salões isolados das Catacumbas da Torre são habitados por hordas e mais hordas descontinuadas das criaturas em si, mas porque elas estão em todo lugar da existência – pop – humana contemporânea. Não há escapatória e foi só uma oportundiade bastante leviana pegar o gancho da adaptação para os cinemas de Guerra Mundial Z, que estreou há pouco, como MacGuffin. Que foi só “okay”, afinal, um filme de morto-vivo onde o gore é quase inexistente não pode passar de “meh”. E digo isso nem levando em consideração o livro no qual se inspirou (o qual gosto muito, preciso salientar), mas mais na forma de abordar as criaturas. Porque sabe como é, morto-vivo atleta não é assim tão divertido.

Decerto eles escolheram o caminho mais seguro: caso resolvessem adaptar a verdadeira magnus opus de Max Brooks, O Guia de Sobrevivência aos Zumbis, a coisa seria outra. Mas a parte mais interessante foi justamente terem ido no sentido contrário a uma adaptação convencional, criando um personagem novo dentro de diversas histórias distintas que se cruzam, como a obra original faz. O resultado final seria algo mais voltado a um Alejandro Iñarritu com zumbis e eu estaria mais do que satisfeito com isso.

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Antes que você desista de ler, não, não vou desenvolver mais uma crítica sobre o filme. Você já deve ter lido muitas por aí e eu também. O ponto aqui é criar um – Parte I – já que toda essa história de zumbis será assunto corriqueiro na Catacumba. Diabos, acabei de terminar o novo The Walking Dead da Telltale, o 400 Days, e preciso discorrer sobre! **SPOILERS AHEAD** Como foi a história de Vince? Em quem vocês atiraram? E com Wyatt? Deixaram o amigo para trás? Identificaram o cadáver de Lilly com Russel? Aquilo foi espetacular… E com Shel? Abateram a rebelde ou fugiram do grupo? E enfiaram a barra de metal na cabeça da mulher com Bonnie? Aquele bate-papo com a moribunda e seu cérebro escorrendo por entre os olhos foi espetacular! E, acima de qualquer coisa, quem acabou indo até a comunidade no final das contas?

Em tempos de primor técnico, como encontramos em The Last of Us (só citado, será discorrido de forma mais profunda em breve, quem sabe), é ótimo ver obras de escopos e orçamentos discrepantes coexistindo. Nunca vou tirar os méritos da Naughty Dog por terem se arriscado com um IP novo em fim de geração, revivendo um gênero bastante em extinção nesses últimos anos, o horror stealth (Siren? Manhunt? Alguém?), mas quando algo mais pessoal e repleto de limitâncias atinge o mesmo patamar de qualidade e sucesso, trata-se de algo estrondoso. Portanto, aguardo a segunda temporada do TWD da Telltale mais do que qualquer outro título este ano – e olha que estamos em ano de SMT IV e Castlevania Lords of Shadow 2. Aliás, experimentou State of Decay? Deveria. É excelente.

 

Mas o porque de ser de todo este texto culmina não em videogame ou quadrinhos, mas numa recomendação de filme que talvez tenha passado despercebido até pelo mais fervoroso fã de seres putrefatos perambulantes. Caso você seja fã de zumbis que percorrem maratonas (perceba o seguinte: o tom pejorativo é superficial, já que tenho em 28 Days Later, o precursor deste subgênero, uma obra-prima moderna), Guerra Mundial Z talvez tenha sido um prato – cheio de vermes – cheio, do contrário, a safra anda modesta. Mas não se levarmos em consideração The Dead, obra autoral de dois irmãos cineastas, Jonathan e Howard Ford, fãs do mito e da sétima arte. Esforçado ao extremo, trata-se de um filme corajoso, filmado in loco em paisagens africanas com o sol a pino. Tão funcional quanto Mangue Negro, de Rodrigo Aragão, mas com primor técnico, The Dead faz uso de suas locações a seu favor, criando situações pouco rotineiras em um gênero tão abastado e gasto, afinal, não é sempre que vemos tribos aborígenes de zumbis por aí. Remete muito a um dos maiores clássicos do gênero, Zombie, do mestre Lucio Fulci (cuja foto marcante encabeça este texto).

Os pensamentos compartilhados acerca do universo morto-vivo sem dúvida continuarão em textos futuros. A HQ de The Walking Dead completa dez anos em Outubro e algo muito especial nos aguarda (e se você é maluco e acompanha assiduamente as publicações como eu, sabe o que quero dizer), fora o recém-anunciado segundo remake da parte final da trilogia inicial de George Romero, Day of the Dead. E outra: Guerra Mundial Z será o primeiro de uma trilogia. Para o bem ou para o mal, não nos livraremos dos mortos-vivos tão cedo. Caso você ainda não tenha se acostumado, trate de ao menos se adaptar, já que Rick Grimes nunca esteve tão certo: nós somos os mortos que andam.

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About the Author

Além de detestar falar de si mesmo na terceira pessoa, tem certa obsessão pelo fundo do poço cinematográfico. Séries como Silent Hill, Resident Evil, Shin Megami Tensei e Final Fantasy trazem razão para sua existência e acha absurda a internet do "amo/odeio". Recluso, introspectivo, com um pé na sociopatia e com saúde debilitada, não acredita no ser humano como espécie cosmopolita.



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